Steinbruch vence disputa judicial nos Estados Unidos

Presidente da CSN e ex-diretor da companhia, Lauro Rezende, travam briga em torno do controle de uma empresa em Belize

Luciana Antonello Xavier, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi reconhecida ontem como dona da International Investment Fund (IIF), em Belize, o que representa uma vitória na batalha judicial de três anos em Nova York, envolvendo o presidente executivo da companhia, Benjamin Steinbruch, e o ex-diretor financeiro Lauro Rezende. O veredicto foi anunciado pelo juiz Harold Baer, da Corte do Distrito Sul de Nova York, após decisão do júri. Rezende disse que vai recorrer.

O ex-diretor financeiro também acusa Steinbruch de tê-lo agredido fisicamente e verbalmente em Nova York durante uma reunião com seus advogados e os advogados da CSN. O juiz Baer disse que até sexta-feira decide se haverá julgamento para esse caso.

"Prevaleceu a justiça", disse Michael Barry Carlinsky, um dos quatro advogados de defesa contratados pela CSN em Nova York. Steinbruch, que depôs na Corte ontem e na segunda-feira, não estava presente hoje. Ao longo do julgamento, que durou uma semana, a defesa de Rezende apresentou documentos tentando provar que seu cliente era o dono da empresa. Rezende disse em depoimento que o motivo pelo qual a CSN quis conduzir o caso pela Justiça americana era porque havia burlado as leis brasileiras ao criar uma "empresa fantasma" e teria muito a perder se o caso fosse julgado no Brasil.

Nem para a esposa. Segundo Carlinsky, que defendeu Steinbruch, Rezende nunca contou a ninguém, nem para sua então esposa - ele está em processo de divórcio - sobre ser dono da IIF. "Ninguém no mundo sabia que ele era dono da IIF", afirmou. Ontem, ao ser confrontado pelo advogado, Rezende disse que no Brasil "não é comum o marido discutir negócios com a esposa" e por isso ela só veio a saber da empresa no momento da separação. "Pois eu queria que o processo de divórcio fosse completamente transparente", explicou.

Steinbruch, em seu depoimento, mais de uma vez chamou Rezende de "ladrão", dizendo que ele roubou documentos e as ações da IIF - cujos dividendos são de pelo menos US$ 15 milhões - quando trabalhava na CSN. Ele acusou ainda Rezende de desviar cerca de US$ 2,2 milhões, que Rezende dizia ser referentes a pagamento de bônus. Todo esse dinheiro agora pertence à CSN.

"Isso aqui é briga de gato. Nenhum deles é santo. O que realmente aconteceu entre essas duas pessoas há dez anos ninguém nunca vai saber ao certo. O que se sabe é que se odeiam", disse o advogado de defesa de Rezende, Ira Glauber.

Não foi um caso trivial, segundo os próprios advogados das duas partes. Um dos motivos é que o caso está sendo julgado em Nova York, embora as duas partes morem no Brasil e a empresa em torno da qual a briga se formou está em Belize. Apenas a conta bancária aberta por Rezende e para onde foi o dinheiro da IIF está em Nova York.

"É um caso incomum. Dos meus 23 anos de carreira, diria que este está nos top 10, ou melhor, entre os top 5", disse Carlinsky, advogado contratado pela CSN. Segundo ele, é incomum que casos dessa natureza sejam decididos por um júri. "Em 99% dos casos não há júri", disse.

Também chamou a atenção o fato de o júri ser formado por oito pessoas - sete mulheres e um homem - sem conhecimento técnico sobre o assunto, sendo o homem um empresário e policial voluntário, uma das mulheres médica e outra uma professora aposentada.

Além da briga entre as duas partes, Rezende agora deve reembolsar ainda US$ 500 mil, de um total de cerca de US$ 700 mil à CSN pela acusação de ter fraudado documentos durante o processo. Esse montante seria para pagar os custos da investigação e perícia desses documentos, feitos à pedido de Steinbruch.

Defesas

MICHAEL BARRY CARLINSKY

ADVOGADO DA CSN

"Prevaleceu a Justiça. Ninguém sabia que ele (Lauro Rezende) era dono da IIF"

IRA GLAUBER

ADVOGADO DE LAURO REZENDE

"Isso aqui é briga de gato. Nenhum deles é santo. O que realmente aconteceu entre essas duas pessoas há dez anos ninguém nunca vai saber ao certo. O que se sabe é que se odeiam."

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