Stephanes critica o próprio governo em audiência pública

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez hoje críticas ao próprio governo em relação a vários setores que prejudicam, de acordo com ele, a produção agrícola brasileira: imperfeições de mercado, problemas de infraestrutura e falta de um marco regulatório para a exploração de jazidas de minério. As reclamações sobre o próprio governo foram feitas durante audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado, que tinha como tema a atualização do índice de produtividade, usado para fins de reforma agrária.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

08 de setembro de 2009 | 14h25

"O Brasil tem se demonstrado incapaz de proteger sua produção e seus produtores", afirmou. De acordo com o ministro, a situação do trigo no País é um exemplo atual das ações contraditórias feitas pelo governo e que geram problemas para os produtores e demais elos da cadeia produtiva. Ele citou como exemplo a criação de taxas baixas para importação do produto não só do Mercosul, mas também de países de fora da região. "O trigo possui problemas que não tangem apenas à questão da produtividade, mas também relacionadas a outras imperfeições, como preço e mercado. E imperfeições do mercado, que, muitas vezes, são geradas pelo próprio governo", disse.

O ministro aproveitou a oportunidade para criticar também a falta de uma regulação para a exploração de minério no País. Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o assunto será debatido logo após o fim das discussões a respeito do marco regulatório da exploração de petróleo da camada pré-sal. Durante a audiência hoje, Stephanes relatou aos presentes que, durante uma discussão a respeito da nova regulamentação para o setor de petróleo passou um bilhete para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, questionando a respeito do código mineral.

"Não temos nenhuma política de exploração de nossos recursos minerais. Não temos política absolutamente nenhuma. Temos jazidas de fósforos sobrando no Brasil e importo o produto do Marrocos", argumentou. Ele salientou que um grupo pequeno de empresas está a cargo da exploração de minérios no Brasil, que são utilizados como matéria-prima para fertilizantes. "Quem controla a venda dos insumos são duas ou três empresas e quem vai comprar são as mesmas duas ou três empresas. Talvez acrescente uma quarta ou quinta", considerou.

Logística

Além da atuação do governo no mercado de alimentos e da falta de regulação para os minérios, Stephanes criticou mais uma vez a falta de infraestrutura para escoamento de produtos agrícolas brasileiros, o que leva, segundo ele, a uma menor competitividade no mercado externo. "Há problemas de logística. Mandei tirar uma foto que mostra uma fila de 50 caminhões encalhados na estrada. E isso é custo da falta de infraestrutura. Temos uma série de questões que teríamos que debater com mais profundidade", criticou.

Sobre o índice de produtividade, o ministro mostrou-se contrário à atualização do indicador mais uma vez durante a audiência. "Tem que ser debate técnico, mas até para debate técnico o momento é inadequado", avaliou, atribuindo aos impactos da crise financeira internacional, como escassez de crédito, o mau momento.

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