Stephanes critica Vale pela não exploração total de mina de potássio

Empresa arrendou a concessão de produção dado pelo governo para a Petrobrás 

Célia Froufe, da Agência Estado,

23 de março de 2010 | 11h58

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou nesta terça-feira a mineradora Vale pelo fato de a companhia não explorar todo o potencial da mina de potássio existente em Sergipe. A empresa arrendou a concessão de produção dada pelo governo para a Petrobrás.

 

"Isso foi entregue pela Petrobrás a então estatal Vale do Rio Doce e, com a privatização, a empresa levou a jazida com ela, mas a Vale manteve apenas a produção em uma das faixas e não vai explorar as outras. Temos que ver como vamos agir em relação ao restante", disse Stephanes, durante audiência pública sobre o tema, que ocorre na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.

 

O secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Cláudio Scliar, também entrou nesse debate. "Pode-se dizer que o potássio já está com uma estatal. As duas concessões de alvará e pesquisa com potássio (em Sergipe e Amazonas) são da Petrobrás. É o filé mignon daquela área", argumentou.

 

Stephanes lembrou que, inicialmente, os estudos indicavam que o Brasil não tinha potássio ou não tinha condições de explorar o minério que é sua matéria-prima. "Esta foi a primeira impressão. Mas, ao final, vimos vários pontos a serem equacionados, como a jazidas de Sergipe", disse. Ele explicou que há mais empresas fazendo pesquisa em direção ao mar em áreas rasas e que a Petrobras encontrou novas ocorrências de minério no litoral. "Precisamos de mais pesquisa e mais dimensionamento, pois tudo indica que nessa região teremos ocorrências suficientes em termos de jazidas", disse.

 

O ministro voltou a dizer que a mina de potássio do Amazonas é tida como a terceira maior do mundo, atrás de jazidas localizadas na Rússia e no Canadá.

 

Exploração de potássio

 

O ministro da Agricultura disse que o início da exploração das jazidas de potássio existentes nos Estados de Sergipe e Amazonas deve desencadear pressão externa. "Pressão internacional haverá, com certeza. Principalmente dos países que detêm 80% das jazidas de potássio do mundo", disse durante audiência pública no Senado para debater sobre fertilizantes.

 

Segundo o ministro, é interessante para as empresas do exterior, que já produzem potássio hoje, que a oferta seja mantida de forma limitada em relação à demanda para que o preço não caia. Não haveria, assim, interesse externo de o Brasil entrar neste circuito, de acordo com ele. "As reações evidentemente vão surgir", disse.

 

Uma das formas que podem se materializar essa pressão é por meio de pressão ambiental, de acordo com Stephanes. "O conflito existe, mas vamos encontrar soluções técnicas para todas essas questões", prometeu. "Se eu posso explorar gás e petróleo no bioma amazônico, por que não posso minério", indagou.

 

Stephanes aproveitou para pedir aos parlamentares que criem uma forma de o Brasil exigir reciprocidade ecológica de países de onde importamos produtos. "Os senhores podem resolver isso com um simples artigo", disse. "Não podemos derrubar arvore aqui e hipocritamente importar de países que derrubam árvores", afirmou.

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