Stephanes defende cumprimento das exigências da UE

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje que as exigências da União Européia (UE) em relação à carne bovina do Brasil devem ser cumpridas. Ele defendeu que possíveis restrições do bloco econômico ao produto brasileiro devem ser tratadas de forma técnica. "Não há porque discutir o aspecto político; devemos manter isso numa discussão técnica", comentou. Até o momento o governo brasileiro não foi notificado sobre restrições ao produto nacional, conforme informações que circularam ontem em Genebra.Stephanes disse que qualquer restrição aos produtos agrícolas brasileiros preocupam, mas é importante que o governo tenha capacidade para administrar as crises. Ele lembrou que a missão da UE que esteve no Brasil no mês passado mostrou insatisfação com relação ao sistema de rastreabilidade do gado e às Guias de Trânsito Animal (GTAs). De acordo com ele, os europeus estavam insatisfeitos "com razão", com relação a esses dois tópicos.Questionado se essas fragilidades poderiam confirmar o boato de um possível embargo ao produto nacional, o ministro disse que não acredita em embargo. "Isso é boato. Mas poderão ocorrer algumas restrições sim". Uma das restrições, segundo o ministro, já está em vigor e refere-se à autorização para se exportar gado oriundo de área autorizada. Animais de área não autorizada só poderão ser exportados após o período de 90 dias e após confirmação de que os dados da GTA conferem com as informações armazenadas na propriedade. Ele disse que "as não conformidades apontadas pelos técnicos da UE estão sendo corrigidas e não acredito que tenhamos medidas extremas".Cana-de-açúcarStephanes comentou, ainda, a informação veiculada na imprensa de que UE só compraria derivados da cana-de-açúcar produzidos em área que não pertence à Amazônia. O ministro disse que a produção de cana obedece a todos os requisitos sociais e econômicos e que a produção sucroalcooleira não compete com a produção de alimentos, como ocorre nos EUA, onde o milho é aplicado tanto na produção de ração quanto para a fabricação de etanol. Ele disse que no caso da cana, há "má informação, uma desinformação muito grande em relação ao que o Brasil faz, principalmente para defesa da floresta".

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