Stephanes descarta restrição imediata às exportações de arroz

Ministro da Agricultura nega que haja risco de desabastecimento do produto no mercado interno brasileiro

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

24 de abril de 2008 | 18h15

Depois de anunciar na quarta-feira a suspensão das exportações de arroz do Brasil, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, recuou nesta quinta, afirmando que o governo só vai impor barreiras às vendas externas do produto "numa situação extrema". Ele negou ainda a possibilidade de imposições de barreiras às exportações da iniciativa privada.  Veja também:Governo leiloará 55 mil toneladas de arroz no dia 5 de maioSupermercados dos EUA limitam venda de arrozDepois do feijão, arroz é novo vilão dos preçosEspecial: Entenda a crise dos alimentos   Questionado se o governo avaliava a possibilidade de impor restrições à venda de arroz no mercado externo, o ministro respondeu: "não pensamos nisso no momento, mas numa situação extrema podemos chegar às barreiras, mas esse limite ainda não existe". Ele lembrou que o País não adota há muitos anos uma política de restrição às exportações agrícolas e que a experiência posta em prática na Argentina não tem dado resultados positivos. Segundo o ministro, não há risco de desabastecimento de arroz no mercado interno. Ele esclareceu também que não existe intenção do governo de exportar parte dos estoques públicos que são gerenciados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).  Além disso, afirmou que os estoques públicos e o produto que está armazenado pela iniciativa privada são suficientes para garantir o abastecimento interno. O ministro disse que o governo tem 1,5 milhão de toneladas de arroz em estoque e que a iniciativa privada tem 1,8 milhão de toneladas. Segundo ele, teoricamente o Brasil tem condições de exportar até 1 milhão de toneladas de arroz.  Preços Os preços do arroz no mercado interno subiram cerca de 30% nas últimas semanas. Diante disso o governo se reuniu nesta quinta com a iniciativa privada e decidiu iniciar no dia 5 de maio leilões de parte dos estoques públicos de 1,4 milhão de toneladas da Conab. Serão ofertadas 55 mil toneladas do cereal, com preço de abertura de R$ 28,00 por saca de 50 quilos tipo 1 com rendimento 58/10. Os remates dos estoques públicos serão semanais, mas o volume dos próximos leilões ainda serão definidos e levarão em consideração o resultado da primeira oferta. A venda terá como objetivo regular o abastecimento do mercado interno e assim, conter a alta dos preços do produto no País. Além dos leilões semanais, o ministro disse que não há nenhuma outra medida em estudo para evitar uma nova alta dos preços do cereal no mercado interno. "Nesse momento, nenhuma medida está sendo avaliada. Até porque, se houver uma pressão de alta, está pressão virá de fora e será suficientemente forte para termos condições de neutralizar", afirmou. Segundo Stephanes a cadeia de beneficiamento e distribuição do arroz demonstrou interesse em manter suas marcas nas prateleiras dos supermercados. Estas empresas, diz ele, garantiram que vão controlar seus estoques para que não falte produto no mercado interno.  Ele disse que a preocupação com a alta de preços dos alimentos é mundial, mas o impacto que tinha que ocorrer já aconteceu. Ele citou como exemplo o trigo, que teve uma alta expressiva de preços nas últimas semanas, mas agora começa a se estabilizar. O ministro também disse que o governo tem mantido contato com fornecedores de alimentos para monitorar a situação de preços no mercado interno.

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