Stephanes prevê superávit de US$ 60 bi no agronegócio

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, prevê que o saldo da balança comercial brasileira do agronegócio deve encerrar 2008 com um novo recorde e variar de US$ 55 bilhões a US$ 60 bilhões. Se as estimativas de Stephanes se confirmarem, o crescimento no superávit do setor neste ano sobre os US$ 49,7 bilhões de 2007 vai variar de 10,6% a 20,7%. O desempenho previsto na receita com as exportações, de acordo com o ministro, será fruto do crescimento estimado entre 5% e 6% no volume exportado e ainda de uma alta de 10% nos preços das commodities agrícolas.De acordo com o ministro, o desempenho da balança comercial no ano passado poderia ser melhor se os preços internacionais dos produtos ligados ao agronegócio aumentassem antes de agosto. "No entanto, esse aumento forte que ocorreu no final do ano passado será refletido este ano, exceto para alguns produtores que tinham feito contratos logo na decisão de plantio e ainda pegaram os preços mais baixos", explicou Stephanes durante entrevista, em Brasília, na qual anunciou o desempenho da balança comercial do agronegócio em 2007.O ministro explicou que o aumento nos preços internacionais dos produtos ligados ao setor agropecuário ficou entre 20% e 40% em dólar no ano passado, mas que a desvalorização da moeda norte-americana trouxe um aumento de renda menor para as exportações mundiais agrícolas. Stephanes explicou ainda que, se comparado com outras moedas, o dólar no Brasil teve desvalorização ante o real de 7% a 8%, o que daria um impacto menor ao exportador do País. "Em alguns países a desvalorização do dólar foi maior que no Brasil", resumiu o ministro.Carnes e sojaStephanes previu também que as carnes devam superar o complexo soja (grão, farelo e óleo) na liderança das exportações do setor de agronegócios em 2008. Em 2007, as exportações de carnes atingiram US$ 11,29 bilhões e as do complexo soja chegaram a US$ 11,38 bilhões. Na opinião do ministro, a liderança da carne se dará com aumento mundial do consumo, com capacidade de ampliação na produção, principalmente de frango, e ainda com a abertura de novos mercados e a derrubada de barreiras para os produtos animais.Mais uma vez pressionado a explicar se o Brasil não poderia ter problemas com as exportações de carnes em virtude do avanço da pecuária sobre as florestas, Stephanes reafirmou que "há um compromisso do governo federal de que não haverá derrubada de árvores", principalmente no Bioma Amazônia, para a agropecuária. Ele disse que o governo selecionou 37 municípios que mais desmatam no Pará e proibiu qualquer derrubada de novas árvores nos locais, mesmo que legalmente isso seja possível. "Até que seja feito um georreferenciamento (mapeamento por satélite) dessas localidades o desmatamento será suspenso", concluiu o ministro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.