Stephanes: produção de grãos pode crescer até 6%

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje que o governo vai liberar R$ 65 bilhões para a agricultura empresarial na safra 2008/09, que começa a ser cultivada a partir de meados de setembro. Na safra atual, 2007/08, o governo disponibilizou R$ 58 bilhões para a agricultura empresarial, recursos que, segundo ele, atenderam à demanda. Os valores consideram recursos a juro controlado e taxa livre, disse Stephanes. Com esses recursos, o ministro disse que será possível incrementar em até 6% a produção agrícola na próxima safra. Na safra atual, a produção agrícola foi de 143,276 milhões de toneladas, segundo a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Stephanes explicou que alguns itens incluídos no Plano Safra da agricultura empresarial, que será divulgado no dia 2 de julho em Curitiba, serviram como uma espécie de "contrapartida" à liberação de cerca de R$ 65 bilhões para o setor na próxima safra. Em meio à crise mundial de alimentos, o Ministério da Agricultura havia pedido a liberação de R$ 70 bilhões para a agricultura empresarial, mas o governo bateu o martelo na liberação de um montante um pouco inferior. O ministro explicou que a criação de uma linha de crédito para recuperação de áreas degradadas e melhoria das pastagens com taxa de juro de 5,5% ao ano foi uma dessas medidas. "Como o juro vai ficar em torno de 5,5% e a inflação vai ficar em torno disso ou chegar a 6%, o encargo será negativo", afirmou. Ele também citou um programa para modernização da pequena propriedade que terá juro de 2% ao ano. A linha vai beneficiar, segundo ele, os produtores que são eficientes e que terão condições de elevar sua produção. Em relação às demais linhas de crédito da agricultura empresarial, Stephanes lembrou que não haverá redução de juros. "Não vamos reduzir as taxas atuais. Não faz sentido por causa da inflação. O juro real que os produtores vão pagar nesse ano será menor do que eles pagaram no ano passado", afirmou. EstratégiaStephanes afirmou que o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09 está inserido numa estratégia de médio e longo prazo do governo. Ele lembrou que o cenário para este ano já foi traçado, quadro que foi influenciado pelo quadro externo. Stephanes lembrou que a alta dos preços dos alimentos e de outros produtos no mercado interno é reflexo do cenário externo. Nesse contexto, o Brasil acabou ficando com um dos menores impactos em termos de preço, avaliou o ministro. "A auto-suficiência em agricultura, energia e em outras matérias-primas evitou um impacto maior", comentou. O aumento dos índices de inflação, movimento impulsionado também pelo preço dos alimentos, foi tema de reunião realizada na manhã de hoje no Palácio do Planalto. Além do aumento da demanda por alimentos, o aumento da oferta de crédito no mercado interno também é apontado como um dos itens que influenciam em alta os índices de inflação. Segundo Stephanes, o governo "leva preventivamente em consideração as duas coisas". Ele explicou que o impacto externo pode eventualmente contaminar outros setores.

FABÍOLA SALVADOR, Agencia Estado

19 de junho de 2008 | 18h45

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