Stephanes: queda do PIB agrícola não teve a ver com crise

A queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no primeiro trimestre deste ano na comparação com o quarto trimestre de 2008 e de 1,6% ante idêntico período de 2008 é consequência de um problema climático, na avaliação do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, feita esta tarde durante entrevista coletiva. "(A retração) não teve nada a ver com crise (financeira internacional) ou com crédito", avaliou. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

10 de junho de 2009 | 18h11

De acordo com o ministro, a tendência da atividade do setor é crescente desde meados do século passado, ainda que siga um ciclo de alternância entre altas e baixas por conta de questões relacionadas ao tempo. "Os últimos anos foram muito bons, em termos de clima, para a agricultura. Uma queda agora chega a ser normal, pois é influência de uma situação climática", observou.

Stephanes enfatizou, mostrando um gráfico para jornalistas em seu gabinete, que as perdas de um ano sempre são acompanhadas por uma recuperação ainda maior no ano seguinte. O ministro justifica sua tese com a informação de que a área plantada este ano foi idêntica à de 2008. "Só o Paraná perdeu 6 milhões de toneladas (de grãos)", contabilizou.

Sobre a redução da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a respeito da estimativa da safra 2008/2009, Stephanes mostrou tranquilidade. "A queda não é surpresa, aguardo queda de até 8%", comentou. Anteontem, a Conab anunciou que espera uma redução de 6,9% da safra de grãos, para 134,15 milhões de toneladas.

O ministro mostrou otimismo ainda em relação ao comportamento da safra 2009/2010. "A expectativa de plantio é boa. A soja, por exemplo, está com um bom desempenho e tudo indica que continuará assim no próximo ano", afirmou.

Frigoríficos

Stephanes defendeu a criação de um fundo garantidor de crédito para o setor agrícola, mas avaliou que o instrumento não é adequado para resolver o atual problema financeiro dos frigoríficos. O assunto está sendo discutido pelo setor desde que a crise financeira internacional desencadeou uma série de pedidos de recuperação judicial. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a paralisação de seis empresas gera um prejuízo de R$ 35,210 milhões.

"Esta (a criação de um fundo) é uma questão importante e que tem de estar em pauta", disse o ministro, durante a entrevista. "Mas não resolve este problema que está aí", continuou. Para Stephanes, a criação do fundo deve abordar todos os setores do agronegócio e não apenas um deles, como o de carnes, por exemplo.

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