Stephanes rebate ruralistas e reafirma questão técnica

A reunião de hoje de manhã, no Ministério da Fazenda, que discutiu o endividamento agrícola deixou clara a divergência entre o governo e a bancada ruralista sobre como tratar a questão. Enquanto o governo apela para o viés técnico, os deputados pressionam politicamente pela prorrogação das dívidas vencidas entre janeiro e março deste ano, até que seja apresentado um pacote para tentar solucionar o endividamento, estimado em R$ 130 bilhões.O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deixou o encontro com a mesma posição que entrou: o endividamento é um assunto técnico e deve ser avaliado sob esse viés. Já o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Marcos Montes (DEM-MG), afirmou que a questão é política e que uma solução para o tema já deveria estar na mesa do ministro da Fazenda, Guido Mantega.Mesmo de um partido de oposição ao governo, Montes apelou para a defesa de ruralistas da base de apoio na Câmara ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou claro, durante a reunião, que não queria discutir questões técnicas. "Esses deputados (governistas) estão desmoralizados em suas bases de apoio e aguardam uma resposta que o governo diz ser técnica", afirmou o deputado após a reunião. Stephanes reafirmou a posição diferente da dos ruralistas. "Você está analisando um endividamento que vem ocorrendo por 20 anos, que tem suas razões, que recebe gorduras durante esse caminho e que foi criado por questões climáticas ou por renegociações vinculadas aos planos econômicos", disse. "Isso, como toda dívida, é um assunto técnico", concluiu o ministro.A mesma visão teria o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy. De acordo com relato de participantes do encontro, mesmo com a pressão de Montes, Appy insistiu em afirmar que tecnicamente seria impossível o adiamento das parcelas vencidas da dívida agrícola até março. Já Mantega tentou um consenso e propôs uma reunião técnica para saber se há espaço político para o assunto. Isso fez com que fosse adiada para segunda-feira (dia 28) a solução, ou não, da questão.

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