Stephanes: safra 2009/2010 deve repetir área cultivada

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, estimou hoje, após apresentar os recursos do próximo Plano Agrícola e Pecuário, que a área a ser cultivada na safra 2009/2010 no Brasil deverá repetir a do ciclo passado. No período 2008/09, os produtores semearam 47,6 milhões de hectares, 0,4% acima da safra anterior. Apesar de repetir a área, a produtividade brasileira cresce cerca de 3% ao ano nas últimas duas décadas, comparou o ministro, durante entrevista em Londrina, no Paraná.

SANDRA HAHN, Agencia Estado

21 de junho de 2009 | 21h18

Por causa da constante melhora no rendimento, Stephanes considerou que, se o clima for favorável, a próxima colheita poderá recuperar a perda de 6,9% em volume na safra 2008/2009, estimada em 134,2 milhões de toneladas. "É bastante possível" crescer até 8%, calculou. O ganho em rendimento "desmistifica" a ideia de que a produção agrícola aumenta com o uso de áreas desmatadas, conforme o ministro.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo irá aplicar R$ 1,7 bilhão na equalização de juros neste ano no plano 2009/2010. De acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edílson Guimarães, R$ 54,2 bilhões do plano de safra serão aplicados com juros controlados, de um total de R$ 92,5 bilhões que fazem parte da verba para a agricultura comercial - outros R$ 15 bilhões serão destinados à agricultura familiar. Stephanes afirmou que o governo optou por aumentar o volume de recursos e manter as mesmas taxas de juros do plano anterior.

Questionado sobre eventuais medidas na área de crédito destinadas a inibir o desmatamento, Stephanes disse que de alguma forma o governo já faz isso, mas é preciso "racionalizar este debate". Ele comparou os casos do Paraná e de São Paulo, onde o ciclo de desmatamento terminou há cerca de 30 e 50 anos, com o sul e leste do Pará, onde se encerrou há menos de dez anos. Há quarenta anos, relacionou, "era incentivado se derrubar áreas para se plantar e produzir naquela região", afirmou. "Então, não podemos criminalizar estas pessoas."

Conforme Stephanes, "qualquer medida generalizada que está sendo adotada hoje é uma medida muito política, muito ideológica e que deve ser, na minha visão, reestudada". Ele procurou diferenciar a situação dos agricultores que "desmataram aquilo que não deviam desmatar após a lei" e os "que desmataram dentro da lei e hoje estão sendo punidos porque a lei mudou".

Greenpeace

Stephanes criticou a entidade ambientalista Greenpeace, por não separar "o joio do trigo" em relatório sobre a questão, segundo ele, e o Ministério Público (MP). "O Brasil é um País suficiente maduro no sentido de tomar decisões sem necessitar de pressões externas", afirmou. "O poder que se deu a um jovem do Ministério Público hoje, ele chega na tua propriedade e não vai discutir", disse o ministro. "Seria a mesma coisa se eu invadisse teu apartamento e (dissesse) você tem que sair daqui porque tem um vazamento."

Há duas semanas, redes varejistas anunciaram a suspensão de compra de carne com origem em áreas desmatadas do Pará, segundo denúncia do Greenpeace. A decisão acatou recomendação do Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA). Ao apresentar o plano de safra, Stephanes destacou que as medidas privilegiam a recuperação de áreas degradas e a adoção de práticas sustentáveis. O plano prevê R$ 1,5 bilhão para o Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio (Produsa).

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