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Stiglitz: Argentina acertou ao reestruturar dívida

O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, reiterou nesta segunda-feira que a Argentina escolheu o caminho correto ao reestruturar sua dívida. "A Argentina demonstrou que não foi fácil, mas que é possível responder à crise. A economia pode seguir adiante e a Argentina teve um alto crescimento durante muitos anos", disse o economista durante seminário sobre políticas para superar a crise de endividamento soberano, em Buenos Aires.

MARINA GUIMARÃES (AE), Agencia Estado

13 de agosto de 2012 | 21h50

Stiglitz voltou a criticar as receitas de austeridade desenhadas por bancos e organismos internacionais aplicadas na Eurozona e que a América Latina seguiu no passado. Também apontou contra o Banco Central Europeu que, segundo ele, durante a crise na Grécia teve maior preocupação com os bancos. "Isso ocorre frequentemente com os bancos centrais que são captados pelos banqueiros e, às vezes, pelos especuladores", afirmou. Stiglitz também afirmou que "em 2008, nos Estados Unidos e, atualmente, na Europa, os banqueiros usam táticas de medo, dizendo que se os governos não fazem o que eles querem, se acaba o mundo".

Ao lado do Nobel de Economia, a presidente da Argentina Cristina Kirchner aproveitou cada palavra para justificar medidas adotadas e promover seu governo. "Quem está dando razão à Argentina é o professor de Universidade, economista premiado, um homem do quilate de Stiglitz, que já foi funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e conhece o monstro desde suas entranhas", disse ela ao criticar os ajustes econômicos na Europa e as receitas do organismo multilateral.

Ela disse que uma das chaves que a Argentina usou para pagar a dívida foi não ter acesso ao mercado de capitais, foi não endividar-se mais. "Muitos nos criticam e nos perguntam por que não nos endividamos. Não nos endividamos porque o vamos fazer quando as taxas forem convenientes para nós. E, não com essas taxas de loucos. Essas taxas de loucura e de especulação que qualifica a dívida argentina com risco muito mais elevado que a espanhola", disparou. A presidente também fez menção ao forte controle do mercado de câmbio que exerce em seu país. "Os únicos que podem emitir dólares estão em Washington. Quem dera se pudéssemos emitir dólares", comentou.

Em um longo discurso transmitido por cadeia nacional de rádio e de televisão, Cristina criticou a lógica das agências de classificação de risco e opinou que "quando um governo se endivida, quem tem mais responsabilidade é o credor porque é ele que tem experiência". Ela também afirmou que o problema da crise internacional é a falta de liderança política da Eurozona. "É preciso domar o touro pelas hastes e tomar a decisão que tem que ser tomada. A falta de liderança é um problema que a Eurozona", acusou a presidente que tentou mostrar-se conhecedora da economia mundial e de sua história. Segundo ela, se as decisões não são tomadas pelos presidente, são os mercados e os bancos que as tomam. Cristina criticou os bancos e reiterou que é preciso regular os mercados de capital.

"O problema que estamos vivendo hoje é que não encontramos um marco teórico pós neoliberalismo", disse ela, ressaltando que "esse capitalismo não é verdadeiro. É capitalismo de cassino, de especulação", disparou. A presidente ainda teve um parágrafo do discurso dedicado ao Mercosul e seu principal sócio, sem deixar de dar uma estocada: "Se o Brasil for mal, a Argentina vai mal. Se a Argentina vai mal, o Brasil vai pior, já que tem superávit comercial", conclui.

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