Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Directv volta ao Brasil e lança serviço de streaming com cara de TV a cabo

Com programação ao vivo, esportes e filmes, Directv Go marca volta da marca ao País com ‘plano básico’ a R$ 59,90

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2020 | 05h00

Pouca gente se lembra, mas, cerca de duas décadas atrás, a Directv, uma das principais operadoras de TV por assinatura nos EUA, atuava no Brasil. No entanto, o negócio acabou passando por uma fusão com a Sky – marca que prevaleceu por aqui, porque tinha mais cliente na época. A empresa agora faz um retorno ao País, com um serviço de streaming com uma oferta que lembra muito a da TV paga: o Directv Go, que foi lançada no início deste mês

Segundo Gustavo Fonseca, vice-presidente do segmento OTT da Vriocorp, controladora da Directv Go na América Latina, trata-se de um serviço que visa unir a comodidade do streaming com ofertas hoje só disponíveis na TV por assinatura – como canais ao vivo, incluindo todas as emissoras abertas, a começar pela Rede Globo, e programação esportiva – aos filmes e séries sob demanda comuns nos na Netflix, na HBO Go e na Amazon Prime, entre outros.

Embora Fonseca afirme que a missão da Directv Go não é substituir os pacotes de TV por assinatura – que ainda são vendidos no Brasil via Sky, que o executivo classifica como empresa “prima”, uma vez que ambas são controladas pela gigante americana AT&T –, ele admite que é possível que parte dos consumidores que baixem o aplicativo façam justamente isso. A maior parte do conteúdo da Directv Go é idêntico ao disponível hoje na TV paga.

Apesar de ausente do País há bastante tempo, a Directv é um dos grandes grupos de TV por assinatura dos EUA. Em parte da América Latina, a empresa também já vinha atuando com essa marca. O executivo não vê, no entanto, memória residual da primeira “encarnação” da Directv. “Estamos tratando como um lançamento da marca no País”, explica.

Ao cercar o consumidor por diversos lados – a assinatura tradicional via Sky (que também tem o serivço Sky Play) e o streaming “ampliado” pela Directv –, a companhia tenta achar maneiras de manter a clientela em sua base. No caso da Directv Go, o pacote básico que inclui todos os canais da TV aberta e mais a oferta básica por assinatura, incluindo a programação da antiga Globosat, filmes e esportes, sai por R$ 59,90. 

A busca de outras formas de apresentar o mesmo conteúdo faz sentido, uma vez que a tendência descendente dos serviços tradicionais de programação parece ser irreversível. Em recente entrevista ao Estadão, o diretor-geral da rede Telecine, Eldes Mattiuzzo, disse acreditar que a base de TV a cabo deve ser relevante no País pelos próximos cinco a dez anos – mas não muito além disso.

O número de consumidores do serviço não para de cair. De acordo com dados da consultoria Teleco, pouco mais de 15 milhões de brasileiros eram clientes de TV por assinatura em outubro de 2020 – a base encolheu em cerca de 1 milhão de residências em 12 meses. Ainda segundo a Teleco, a proporção de lares brasileiros com TV paga caiu de 7,8% para 7,1%, na mesma comparação.

Também como nos pacotes de TV por assinatura, o Directv Go pode variar de preço conforme os conteúdos que forem agregados. Entre as ofertas adicionais dos pacotes da companhia estão a Fox Premium, a rede Telecine e a HBO – esta última, aliás, também pertence à AT&T, desde que a gigante das telecomunicações concluiu a compra da WarnerMedia, no ano passado.

Ofertas criativas

Segundo Fonseca, a Directv Go deve, já a partir do início do ano que vem, explorar normas formas de o serviço chegar ao consumidor, tanto em parceria com empresas do ramo quanto com representantes de outros setores. Esse tipo de união está sendo vista com frequência no mercado. A Disney+, por exemplo, ofereceu um pacote promocional aos clientes do Bradesco, diretamente no app do banco. Já a HBO Go dá descontos e faz vendas por meio do Mercado Livre.

Tudo o que sabemos sobre:
streamingDirectv

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.