Subscrição confunde investidores

Empresas garantem a acionistas direito de compra de novos papéis, mas é preciso checar condições e metas

Yolanda Fordelone, O Estadao de S.Paulo

22 de junho de 2009 | 00h00

A decisão da construtora Abyara e da empresa de intermediação imobiliária BR Brokers de aumentar o número de ações negociadas em Bolsa, com a possibilidade de os atuais acionistas subscreverem novos papéis, desperta muitas dúvidas entre os investidores.O chamado direito de subscrição permite que esses acionistas comprem novos papéis por um valor inferior ao de sua cotação na Bolsa. A maior confusão deriva do prazo, o que pode levar o investidor, sem saber, a deixar de exercer este direito - ou mesmo perder a chance de vendê-lo, se julgar melhor."Muitos não sabem que a subscrição tem prazo de vencimento", diz o ombudsman da BM&FBovespa, Joubert Rovai. Ao anunciar uma subscrição, a empresa está aumentando a quantidade de ações em Bolsa. "Para que os investidores não diminuam a participação, a companhia é obrigada a oferecer novos papéis aos acionistas existentes em uma proporção definida", explica o professor da Fipecafi Alexandre Di Miceli. Esta é a alternativa seguidapelo analista de agronegócios Felipe Oliva. "Sempre observo se a empresa está captando recursos para expandir-se. Se acredito nela, acho interessante exercer porque não diluo a minha participação", justifica o investidor, de 26 anos.Exercer o direito é simples: basta o acionista informar seu interesse à corretora . "Não há custos", acrescenta o diretor da corretora SLW, Robson Domingues Queiroz.Ao invés de exercer a subscrição, o investidor pode também vendê-la a outros interessados. Ao tomar a decisão, o primeiro ponto a considerar é o preço da oferta, inferior ao da cotação do papel no mercado. Às vezes, boatos anteriores ao anúncio da subscrição fazem com que o preço da ação oscile bastante. Quando a operação é efetivamente divulgada, o preço acertado pode até ser maior do que a cotação na Bolsa."Outra análise deve ser a de risco, já que o investidor estará aplicando mais capital na empresa", alerta Miceli. A subscrição é oferecida porque, geralmente, solicitar empréstimo ao banco sai mais caro. E as razões para as empresas recorrerem aos investidores variam: os recursos podem ser necessários ao pagamento de dívidas ou para viabilizar planos de expansão que envolvam aquisições. ENTENDAPrazo de vencimento - Apesar de haver 30 dias para a compra, na prática são cerca de 20 dias úteis para que o direito de subscrição seja exercido pelo acionista.Risco - Palavra com vários sentidos nos investimentos, como risco de liquidez (caso não haja comprador para o papel) ou financeiro (volatilidade de preço dos ativos).

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