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Subserviência acabou, diz Lula sobre negociações de Doha

Em discurso duro, presidente afirma que País teve coragem de não ceder às economias desenvolvidas; ´Respeito é bom e nós gostamos de dar e receber´, diz

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h11

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira, 2, um dos seus mais duros discursos com relação à postura que o Brasil passou a adotar nas suas relações comerciais. Falando diretamente sobre o enfrentamento do governo brasileiro na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula ressaltou: "Pela primeira vez tivemos a coragem de não ceder às economias desenvolvidas, como Estados Unidos e União Européia".No discurso que fez na cerimônia de comemoração dos 50 anos da Scania do Brasil, em São Bernardo do Campo, Lula disse que seu governo fez questão de dizer, na Rodada Doha, que tinha acabado aquele momento da subserviência. "Queríamos ser tratados em pé de igualdade", emendou o presidente, classificando de "absurda" a proposta dos Estados Unidos em querer aumentar os seus subsídios agrícolas. "Nos últimos três anos os EUA subsidiaram sua agricultura em US$ 15 bilhões, e somente no último ano foram US$ 11 bilhões. Além disso, eles queriam incluir uma cláusula no acordo para elevar esses subsídios para US$ 17 bilhões", disse.O presidente da República afirmou que o Brasil pode fazer este enfrentamento porque vive um momento de crescimento estabilizado. "O mundo precisa aprender que o Brasil revolveu assumir a sua grandeza política e econômica."Ainda sobre a nova postura brasileira nas negociações econômicas internacionais, Lula disse: "Respeito é bom e nós gostamos de dar e receber". Na sua avaliação, o Brasil precisa deixar de ser pequeno, de ser a esperança do mundo e o país do futuro. "Chega de ser um monte de adjetivos que nunca se concretizaram, nos agora vamos concretizar", concluiu."Tivemos que comer o pão que o diabo amassou"O presidente Lula voltou a elogiar hoje a performance da economia brasileira e destacou: "Não há possibilidade da economia brasileira não crescer e não gerar emprego, riqueza e renda. Mas para chegar a isso, tivemos que comer o pão que o diabo amassou".Para Lula, nunca existiu nos 118 anos de República, um momento em que o País apresentasse a sustentabilidade econômica de hoje. "Quantos empresários imaginaram que teríamos US$ 146 bilhões em reservas, US$ 47 bilhões em superávit comercial e a inflação estável de 3,7% ao ano?". E continuou: "Não existe mágica em economia, o que existe é seriedade, visibilidade e credibilidade".O presidente falou também sobre o atual patamar do câmbio. Depois de uma cobrança sutil do presidente da Scania para a América Latina, Michel de Lambert, de que a sobrevivência das empresas no Brasil depende basicamente de crescimento interno e câmbio competitivo, Lula retrucou: "O problema do câmbio, a gente tem que dizer, é um problema do déficit fiscal dos Estados Unidos, que eles precisam consertar. Como eles são muito grandes, as pessoas não têm coragem de falar".Segundo Lula, o real não está valorizado em relação ao euro, por exemplo. "O real está valorizado com relação ao dólar porque o dólar está desvalorizado com relação a todas as moedas do mundo." E ironizou: "Falam como se eu pudesse inventar um número mágico. O câmbio flutuante flutua, caso contrário, teríamos que criar um câmbio para vários setores e isso não existe".

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