Subsídio à agricultura não é pecado, diz ministro Pratini

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pratini de Moraes, defendeu os subsídios agrícolas como um instrumento legítimo e afirmou que o Brasil também deveria subsidiar os agricultores. "Nós não vamos conseguir eliminar o subsídio. E acho que o Brasil tem que dar subsídio para a sua agricultura também", disse o ministro, durante entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira. "Dar subsídio à agricultura não é pecado. O que é ruim, e que nos afeta, são esses subsídios à exportação que aumentam muito a produção e o pessoal joga esse excedente de produção no mercado internacional baixando os preços." Ele estimou que os subsídios americanos deram um prejuízo de US$ 1 bilhão aos agricultores brasileiros no ano passado.Pratini de Moraes também surpreendeu ao dizer que a Farm Bill, lei que destinou bilhões de dólares para subsidiar os agricultores norte-americanos, não afetará muito as exportações brasileiras. O ministro disse que os prejuízos atingirão principalmente a produção de algodão e de álcool. "Na verdade, o Farm Bill americano não nos atinge muito, a não ser na perspectiva de exportação de álcool e na questão do algodão", revelou. O álcool será prejudicado devido aos incentivos dados para a produção norte-americana de álcool a partir do milho. "No caso da soja, os subsídios anteriores a esta Farm Bill já vinham nos atrapalhando com prejuízos de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão por ano de perda de renda para o produtor", salientou Pratini.TransgênicosPratini de Moraes criticou a moratória para as pesquisas de transgênicos no País, que ele considera ter sido provocada por influência externa. Ele lembrou que a Embrapa está impedida de pesquisar, como a França ou a Itália estão estudando. "Esta moratória está condenando o Brasil a ficar refém das multinacionais que estão investindo", frisou. Ele destacou que a questão tem sido tratada com forte componente emocional, mas também influenciada pelos interesses estrangeiros. "As multinacionais vão ser as únicas que vão ter sementes biologicamente tratadas (...) As empresas que vendem os herbicidas, que deixarão de ser utilizados com a redução do número de pulverizações, é que patrocinam essa campanha."ProálcoolO ministro disse que a única forma de se reativar o programa Proálcool seria através de mecanismos de comercialização do álcool que garanta preço e fluxo do produto. "Para evitar a tendência de que num aumento do preço do açúcar você leva a cana para produzir açúcar", ponderou Pratini. Ele sugere a criação de um mercado futuro do álcool, além de o governo financiar a estocagem do produto. Pratini também aproveitou para criticar a taxação de 25% do ICMS no Estado de São Paulo. "Qual é o lugar do mundo que se cobra 25% de imposto sobre a venda numa matéria renovável", indagou. Ele prega que se aumenta a taxação sobre os derivados do petróleo, cobrando um imposto meramente simbólico no caso de combustíveis renováveis.

Agencia Estado,

16 de julho de 2002 | 07h47

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