Subsídio dos EUA à soja faz Brasil perder até US$ 1 bilhão

O Brasil perde entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão por ano nas exportações de soja por causa dos subsídios dos Estados Unidos para a produção local. A estimativa foi feita pelo governo brasileiro, que utilizará esses dados como base para um processo que poderá ser aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a política agrícola de Washington. A queixa do Brasil é de que os Estados Unidos aumentaram de forma significativa os subsídios à produção de soja, o que estaria afetando a competitividade dos produtos nacionais. Nos últimos dez anos, Brasília argumenta que a ajuda de Washington aos seus produtores passou de US$ 109 milhões para US$ 3,8 bilhões. Na avaliação do Brasil, os subsídios dos Estados Unidos estão possibilitando que a soja norte-americana desloque a exportação do Brasil em outros mercados, como no Oriente Médio. No ano passado, as vendas de soja do Brasil somaram US$ 4 bilhões e o produto foi o principal item da pauta agrícola. Mesmo assim, o País acredita que poderia exportar até US$ 1 bilhão a mais por ano se não fosse a ajuda estatal de Washington. Enquanto a competitividade do produto brasileiro é afetada, as exportações dos Estados Unidos, apoiadas pelos subsídios, somaram US$ 8,7 bilhões em 2000, principalmente para União Européia, Japão, China, Arábia Saudita, Venezuela e Turquia. Há quase seis meses o governo brasileiro afirma estar estudando a possibilidade de recorrer à OMC contras as políticas da Casa Branca e a demora já chegou a ser questionada pelos próprios diplomatas norte-americanos. Segundo fontes do governo brasileiro, com a avaliação do dano feita, a decisão de recorrer à OMC deverá ser tomada "em breve". Nesta semana, advogados norte-americanos contratados pelos brasileiros se encontrarão com especialistas do Ministério da Agricultura e do Itamaraty para avaliar a queixa do País e dar o aval jurídico sobre a causa. O Brasil ainda poderá ganhar um aliado contra os subsídios norte-americanos. O governo da Argentina manifestou seu interesse ao Itamaraty em se unir ao Brasil na OMC contra os Estados Unidos. Segundo Buenos Aires, os produtores argentinos sofrem os mesmos problemas enfrentados pelo Brasil. No caso de uma união entre Brasília e Buenos Aires, seria a primeira vez que os dois parceiros do Mercosul atuariam conjuntamente em uma organização internacional com o objetivo de derrubar uma barreira comercial.

Agencia Estado,

25 de março de 2002 | 20h13

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