Nilton Fukuda / Estadão
Nilton Fukuda / Estadão

‘Subsídios devem estar na mesa’, diz chefe para negociação agrícola dos EUA

A chefe para negociação agrícola dos Estados Unidos, Darci Vetter, acredita que o comércio mundial só vai avançar quando todas as políticas de subsídios forem transparentes. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.

Entrevista com

Darci Vetter

Anna Carolina Papp e Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2016 | 05h00

Como a sra. avalia o futuro da Organização Mundial do Comércio (OMC)? 

Tomamos importantes decisões em Nairóbi (Quênia) no ano passado, inclusive com a ajuda do Brasil. A questão é como podemos encontrar uma fórmula para resolver o que não terminamos, como reduzir tarifas para o acesso a mercados. Desde que começamos a Rodada Doha, os países que mais concedem subsídios passaram de EUA, União Europeia e Japão para China e Índia. Os subsídios têm um efeito de distorção, não importa qual país faça uso dele. Se quisermos criar disciplinas aceitáveis, precisamos fazer com que todos os subsídios estejam em cima da mesa.

Os EUA anunciaram um novo subsídio para o algodão. Isso poderá desencadear uma nova disputa com o Brasil?

Fui parte ativa dessa negociação (finalizada em 2014), e chegamos a uma conclusão de sucesso. Recentemente anunciamos um novo programa, que é pequeno e pontual. Está dentro de nossos compromissos com a OMC. O Brasil nos perguntou sobre esse programa, mas reconheceu que está dentro dos limites. Tudo relacionado ao setor, dado o nosso histórico, será observado de perto, mas foi uma medida emergencial.

Em quais áreas é possível avançar em acordos com o Brasil?

Somos ambos exportadores de milho, soja, etanol, carne, mas muitas das nossas exportações vão para mercados terceiros. E esses mercados nem sempre jogam seguindo as regras. Temos uma oportunidade de trabalhar para encorajá-los a usar padrões internacionais. Os países recebem esse tipo de mensagem de forma diferente se elas vêm de parceiros como o Brasil e a Argentina, que enfrentam as mesmas barreiras. 

O fato de o Brasil enfrentar uma crise política muda a visão sobre o País?

Independentemente do que acontecer no Brasil, ele continuará um grande parceiro comercial. Estamos confiantes de que o País vai achar seu caminho e estaremos aqui quando isso acontecer.

Com a eleição presidencial nos EUA, como uma vitória de Hillary Clinton ou Donald Trump influenciaria a relação comercial com os Estados Unidos?

A comunidade agrícola apoia fortemente o papel do comércio. Um terço do que é cultivado nos EUA é exportado, então manter relações fortes com outros mercados é realmente importante – 20% da renda agrícola nos Estados Unidos está relacionado a exportações. O nosso setor agrícola é construído em cima dessas relações, então é difícil imaginar que isso mude, já que é uma prioridade e uma parte tão importante da nossa economia. 

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