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Subsídios nos EUA devem deprimir preços mundiais

A política agrícola dos Estados Unidos e da União Europeia foi objeto de estudo inédito, elaborado pelo Agroicone, sob encomenda da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Uma das conclusões do estudo, apresentado no fim de março, é que o bom desempenho do Brasil no comércio externo de produtos agropecuários está mais ameaçado pela nova Lei Agrícola dos EUA do que pelas recentes mudanças da Política Agrícola Comum (PAC) da UE.

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2014 | 02h11

Soja, milho e algodão estão entre os produtos brasileiros mais prejudicados pelos subsídio.

Aprovada em fevereiro, a lei americana prevê gastos entre US$ 20 bilhões e US$ 29 bilhões anuais entre 2014 e 2018, para financiar uma política com programas direcionados a produtos específicos e à garantia de preços e de renda aos produtores. O crescimento desses subsídios será responsável por reduções médias nos preços mundiais estimadas em 4% no milho e no algodão, e em 3% na soja. O prejuízo às exportações brasileiras nestes produtos será, assim, de US$ 280 milhões no milho, US$ 480 milhões na soja e US$ 70 milhões no algodão.

Nos últimos cinco anos, a influência das políticas de subsídios no comércio internacional foi menor, porque os preços dos produtos agropecuários estavam em patamares elevados. A tendência, no entanto, é a de que as cotações internacionais recuem em função do aumento da produção, especialmente nos EUA, e também porque vários países acumularam estoques.

Desta forma, ampliam-se as chances de os mecanismos de sustentação de preços e rendas serem ativados pelo governo norte-americano, ampliando as distorções de mercado.

Já a política agrícola europeia de 2013 transformou a maior parte das políticas de apoio em pagamentos diretos aos produtores, sem considerar os níveis de produção e o tipo de produto. A nova PAC tem orçamento anual de 60 bilhões de euros, quantia responsável por 14% da renda total do produtor rural europeu, mantendo os elevados níveis de ajuda governamental para a agricultura. Mesmo em se tratando de um valor três vezes maior do que o total de subsídios norte-americanos, o efeito da nova política da União Europeia é menos danoso ao Brasil, porém. O que ameniza os efeitos é a divisão entre países e seus produtores, sem se concentrar em produtos específicos.

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