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Substituição de membros do conselho da Petrobrás atrai consultorias de recrutamento

As vagas no conselho da Petrobrás foram abertas após a renúncia coletiva de quatro conselheiros em meio à substituição de Roberto Castello Branco na presidência

Fernanda Nunes e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2021 | 11h00

RIO - A substituição de membros do Conselho de Administração da Petrobrás está na mira de consultorias de recrutamento. A WCD Brasil, filial brasileira da fundação global dedicada a fomentar mais diversidade e maior participação de mulheres nos conselhos de administração, fez um chamado entre suas associadas em busca de interessadas em se candidatar junto ao “headhunter” responsável pela seleção.

As vagas no conselho da Petrobrás foram abertas após a renúncia coletiva de quatro conselheiros em meio à substituição de Roberto Castello Branco na presidência da companhia. Cinco das 11 cadeiras do colegiado estarão em jogo numa assembleia extraordinária de acionistas, em data ainda a ser definida. O governo federal movimentou o comando da petroleira após o presidente Jair Bolsonaro criticar a política de preços de combustíveis e indicar o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o lugar de Castello Branco.

Além dos quatro conselheiros que anteciparam que não querem ser reconduzidos em seus cargos, Leonardo Antonelli, que ocupa uma das três vagas destinadas a representantes dos acionistas minoritários, informou que seguirá no cargo apenas se for eleito novamente pelos investidores na assembleia. O anúncio da WCD Brasil, que circula, pelo menos, desde sexta-feira, 5, informa que a entidade está em contato com o “headhunter” que “está recrutando” para o conselho da Petrobrás. Pede que as associadas da entidade que tenham interesse em se candidatar se inscrevam numa plataforma exclusiva em seu site até a meia-noite deste domingo, 7. “Buscam candidatos com experiência em conselhos robustos de grandes companhias”, diz o anúncio.

Segundo a co-chair da WCD em São Paulo, Marienne Coutinho, o anúncio de vagas é uma das ações que a entidade faz para fomentar a presença de mulheres nos conselhos. O trabalho corriqueiro da WCD inclui a organização de eventos, encontros de “networking” e sensibilização de empresas e consultorias de recrutamento sobre a necessidade de selecionar mais mulheres para os conselhos de administração. Também passa por cursos de formação para executivas.

Nesse trabalho, especialmente nos últimos anos, a WCD tem sido procurada por membros de conselhos e consultorias de recrutamento, para ajudar, com indicações de executivas, a selecionar conselheiras em potencial. Quando isso ocorre, explicou Marienne, a entidade divulga as vagas entre todas as associadas. As executivas que são membros da entidade, então, acessam a plataforma fechada no site e cadastram seus currículos, que depois são encaminhados. Normalmente, os anúncios são feitos com prazo de dois a três dias para o cadastro das interessadas.Entre as cerca de 250 associadas da WCD no Brasil, 88% já ocupam vagas em algum conselho, em companhias abertas, grandes empresas familiares em vias de profissionalização da gestão e startups preocupadas com a governança e que, portanto, montam conselhos de administração. Há também presidentes de empresas entre as associadas.

No caso específico das vagas abertas no conselho da Petrobrás, a co-chair da WCD disse que não sabe quem contratou a consultoria de recrutamento – cujo nome ela preferiu não revelar. Tampouco sabe se a consultoria busca currículos para preencher uma ou mais vagas no conselho da petroleira. O anúncio foi distribuído no grupo de WhatsApp das associadas da WCD e na plataforma no site da entidade. Na noite de sexta-feira, 5, estava na página principal do site da WCD, mas, no sábado, 6, foi retirado.“Nossa motivação é colocar as mulheres nos conselhos”, afirmou.Na formação atual, apenas uma das 11 vagas do conselho da Petrobrás é ocupada por uma mulher, Rosângela Buzanelli Torres, eleita como representante dos trabalhadores da estatal.

Como as quatro cadeiras que precisarão ser preenchidas na assembleia de acionistas representam os interesses da União, é possível que o próprio governo federal tenha contratado consultorias de recrutamento para encontrar os nomes para indicar.Segundo Alessandra Simões, sócia da Uphill Capital Humano, o governo federal tem lançado mão dessa estratégia para selecionar conselheiros para as estatais. A contratação de serviços profissionais de seleção é uma forma de atender requisitos de governança, para demonstrar imparcialidade, disse a executiva.

A Petrobrás não comentou a substituição de membros de seu conselho. O Ministério de Minas e Energia, órgão federal que responde pela estatal petroleira, informou que não contratou serviços de recrutamento e seleção para o conselho da Petrobrás.

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