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Sucessão no FMI não deve ser precipitada, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quarta-feira que as discussões em torno da sucessão no comando do Fundo Monetário Internacional (FMI) contemplem o cenário atual de maior participação dos países emergentes nas questões de relevância mundial.

REUTERS

18 de maio de 2011 | 19h11

Em carta aos membros do G20, Mantega elogiou o atual diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn, que está preso nos Estados Unidos acusado de abuso sexual, e afirmou que a escolha por um substituto não deve ter a nacionalidade como parâmetro.

"O Brasil sempre apoiou a posição de que a seleção deve ser baseada no mérito, independentemente da nacionalidade. Já se passou o tempo em que poderia ser remotamente apropriado reservar esse importante cargo para um cidadão europeu", afirmou Mantega, no documento.

Um acordo antigo entre os EUA e a Europa têm garantido um europeu na presidência do FMI e um norte-americano na chefia do Banco Mundial.

De acordo com Mantega, como o G20 substituiu o G7 como principal fórum para a cooperação econômica internacional, para ter legitimidade, a decisão de um nome para ocupar o comando do FMI somente pode ocorrer após ampla consulta com os países-membros desse bloco.

"É compreensível que alguns países europeus desejem encontrar uma rápida solução para seus problemas. Não obstante, não devemos decidir de forma precipitada a sucessão da chefia de uma instituição de tamanha importância", afirmou Mantega.

O ministro salientou que Strauss-Kahn já vinha trabalhando nesse sentido, ao reconhecer que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento precisam ter maior peso nas decisões do FMI, em linha com sua crescente participação na economia mundial.

Mantega salientou que Strauss-Kahn deve ter direito irrestrito à defesa e afirmou que o francês atuou de forma decisiva nos esforços internacionais para superar a crise econômica mundial de 2008 e 2009.

Strauss-Kahn está sendo acusado de abuso sexual contra uma camareira de um hotel em Nova York no sábado. Na segunda-feira, ele teve seu pedido de fiança negado.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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