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Daniella Marques, atual secretária especial de Produtividade e Competitividade Allex Lens Foto & Video

Daniella Marques, secretária de Guedes, é cotada para substituir Pedro Guimarães na Caixa

Ministério Público Federal investiga denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias da Caixa contra presidente do banco

Lorenna Rodrigues e Eduardo Gayer *, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2022 | 12h14
Atualizado 29 de junho de 2022 | 13h25

BRASÍLIA - A secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques, é o nome mais cotado para substituir Pedro Guimarães na presidência da Caixa, apurou o Estadão/Broadcast. Segundo fontes, a escolha de uma mulher para o posto ajudaria a estancar as denúncias de assédio contra funcionárias do banco que envolvem o nome de Pedro Guimarães.

Daniella é considerada um “braço-direito” de Guedes desde os tempos em que o ministro atuava na iniciativa privada. Ela é formada em Administração pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e com MBA em Finanças pelo IBMEC/RJ e atuou por 20 anos no mercado financeiro. Além disso, presente desde a campanha de 2018, a secretária tem a confiança do presidente Jair Bolsonaro, - e já chegou a participar das tradicionais lives de quinta-feira do chefe do Executivo para divulgar ações do Ministério da Economia voltadas às mulheres. 

Daniella foi sócia de Guedes na Bozano Investimentos, no Rio de Janeiro. Deixou a gestora em 2019 para ir trabalhar com o ministro como assessora especial. Se confirmada a indicação, Guedes conseguirá emplacar o terceiro nome seguido nos últimos dois meses, depois de Adolfo Sachsida no Ministério de Minas e Energia e Caio Paes de Andrade na presidência da Petrobras.

As acusações

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação para apurar denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias da Caixa Econômica Federal contra Pedro Guimarães. A abertura da investigação, que está em andamento sob sigilo, foi confirmada pelo Estadão.  Cinco funcionárias relataram abordagens inapropriadas do presidente do banco. A revelação das denúncias foi feita pelo site Metrópoles na terça-feira, 28.

Dentro do banco, a abertura da investigação fez crescer a pressão para que o executivo deixe o cargo. Na manhã desta quarta, 29, funcionários da Caixa realizaram protesto em frente à sede do banco em Brasília e pediram a "saída urgente" de Pedro Guimarães.

Pressão política

Pedro Guimarães é muito próximo de  Jair Bolsonaro, e há um temor entre pessoas ligadas à campanha do presidente à reeleição de que as denúncias acabem tendo um efeito negativo. O executivo da Caixa é presença constante nas lives do presidente, que o apelidou de PG2, em referência a Paulo Guedes, chamado de PG. O nome de Guimarães já chegou a circular como um eventual ministro da Economia, em caso de saída de Guedes.  

O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Na avaliação de interlocutores do Centrão, Bolsonaro “não pode arriscar” manter no cargo um auxiliar com denúncias de assédio no momento em que tenta ganhar popularidade entre as mulheres, segmento do eleitorado no qual enfrenta grande rejeição. O presidente é pré-candidato à reeleição e, em todas as pesquisas de intenção de voto, hoje perderia a disputa para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Evento da Caixa

Pedro Guimarães iniciou esta quarta-feira participando, acompanhado de sua esposa, de um evento da Caixa em Brasília, que foi fechado para jornalistas. 

Ao falar para a plateia de funcionários, Guimarães disse que tem um relacionamento profissional “pautado pela ética” e não mencionou nenhuma palavra sobre as acusações de assédio. /COLABORARAM ANDRÉ BORGES E THAÍS BARCELLOS

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Pedro Guimarães vai a evento da Caixa com esposa e diz ser “pautado pela ética”

Guimarães não disse nenhuma palavra sobre as acusações de assédio que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal

André Borges, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2022 | 11h41
Atualizado 29 de junho de 2022 | 17h04

BRASÍLIA - Alvo de várias acusações de assédio sexual e pressionado para deixar imediatamente o cargo, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, iniciou esta quarta-feira, 29, com participação em um evento do banco que acontece em Brasília. Jornalistas foram impedidos de entrar no espaço.

Guimarães compareceu ao evento acompanhado de sua esposa e não mencionou nenhuma palavra sobre as acusações de assédio, as quais são investigadas pelo Ministério Público Federal e que foram reveladas pelo site “Metrópoles”.

Ao falar para a plateia de funcionários, Guimarães disse que tem um relacionamento profissional “pautado pela ética”.

O Sindicato de Bancários de Brasília cobrou a demissão do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, alvo de uma série de denúncias de assédio sexual por parte de diversas funcionárias do banco. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região também pediu que Guimarães seja afastado, para apuração das denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias. O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o assunto.

“Em 7 de janeiro de 2019, quando assinou termo de posse ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, Pedro Guimarães disse que assumiria o controle de um banco maior que muitos países, com 93 milhões de clientes, e que não tinha “direito de errar”.

Em seu discurso de posse, prometeu marcar a história do banco. “Farei, certamente, algo que dê orgulho aos meus amigos da Caixa”, afirmou. “A gente não pode errar, mais Brasil e menos Brasília.”

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Pedro Guimarães usa a imagem da própria esposa para atenuar as denúncias que recaem sobre ele. 

“Ele está, claramente, usando a esposa para limpar a própria imagem. É um fato muito grave. O governo tinha que ter tomado a atitude de afastá-lo ontem ainda. Como presidente, ele pode interferir na apuração, no atendimento a vítimas. Ele tem que sair”, diz Juvandia Moreira, presidente da Contraf e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

Ela também critica a circunstância em que governo Bolsonaro pretende nomear, somente agora, uma mulher para assumir o comando da Caixa, com a nomeação da atual secretaria de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques.

“Queremos mulheres no poder, mas não para atingir interesses políticos. Tudo isso é só mais uma prova de que esse governo é misógino e que carrega um machismo estrutural. Tudo nele isso incentiva essas condutas”, diz Juvandia Moreira.

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Investigação contra presidente da Caixa obriga Bolsonaro a agir pensando na reeleição; leia análise

Acusação de assédio sexual contra Pedro Guimarães contamina discurso do governo de proteger os valores familiares

Francisco Leali, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2022 | 11h24

BRASÍLIA - Em menos de duas semanas, o presidente Jair Bolsonaro, que briga com os resultados das pesquisas de intenção de voto, colhe o dissabor de ver um ex-ministro acusado de corrupção e o presidente do principal agente financeiro de seu governo cair na malha de uma investigação sobre abusos sexuais. A apuração de seguidos casos de assédio envolvendo o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, um dos mais assíduos frequentadores das lives de Bolsonaro, pode consolidar a imagem que já aparece nas pesquisas: o governo de Bolsonaro não tem a aprovação da maioria das mulheres. O caso sob apuração do Ministério Público Federal parece obrigar o presidente a agir como candidato para reduzir danos ainda maiores na porção do eleitorado que o segue.

Apenas agindo como presidente, Bolsonaro já deu mostras de que o tratamento dispensado às mulheres pode ser tema para os tribunais. Por coincidência, ele teve sua condenação referendada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por ofensas graves a uma jornalista cujo conteúdo não se deve repetir.

No caso Guimarães, segundo noticiou o site Metrópoles, estão já registrados pelo MPF depoimentos de auxiliares do chefe da Caixa narrando casos de  abusos em viagens. O presidente do banco público teria predileção por estar sempre acompanhado das “bonitas”. Algumas das vítimas teriam revelado que Guimarães seguia o manual do assediador: fazia abordagem insinuando querer envolvimento sexual e, em troca, falava em promoção na carreira.

Maiores vítimas de tentativas cotidianas de assédio, as mulheres poderão ver no caso a explicitação de que o comportamento do presidente da Caixa vai se somar à impressão que elas têm da atual gestão governamental. Nas últimas pesquisas realizadas pelo Datafolha, são as eleitoras que têm percepção mais negativa de Bolsonaro e seu governo. Se entre os homens a taxa de reprovação é de 43%, entre as mulheres alcança os 52%. Também são elas com maior desconfiança do que o presidente fala, 57% - entre os homens esse indicador é de 48%. O eleitorado feminino também é pessimista em relação ao cenário econômico. A maioria acredita que a inflação vai aumentar e atesta que a situação do País piorou.

A investigação contra Guimarães tem ainda outra dimensão. Põe em xeque o discurso de proteção aos valores da família que o governo propaga e agora, mais intensamente, dissemina pensando no voto conservador nas eleições. Não é difícil encontrar registros em sites abertos das viagens de Bolsonaro ao lado do dirigente da Caixa. A capilaridade do banco proporciona a oportunidade para o presidente que quer se reeleger ir aos rincões onde a instituição bancária financia moradias e distribui os cartões de auxílio. Em dezembro de 2019, por exemplo, Bolsonaro foi ao Tocantins. Guimarães estava junto. “Nós temos um presidente, agora, que respeita a família. Parece que é uma coisa que não é importante. É importante sim. A família é a base da sociedade. Um governo que é temente a Deus. O Estado é laico, mas eu sou cristão. E ponto final”, discursou o presidente da República.

A proximidade de Guimarães e Bolsonaro é tamanha que o economista que dirige a Caixa chegou a ser cotado para vice na chapa eleitoral. Agora, pode valer a máxima: o que atinge o primeiro, respinga no segundo.

 

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Cresce pressão por saída do presidente da Caixa após denúncias de assédio sexual

Funcionárias do banco relataram ao Ministério Público abordagens inapropriadas de Pedro Guimarães durante sua gestão; ala política do governo e dirigentes do banco pressionam pela demissão do executivo

Lucas Agrela, Fernanda Guimarães e Eduardo Gayer*, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2022 | 20h52
Atualizado 29 de junho de 2022 | 11h44

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação para apurar denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias da Caixa Econômica Federal contra o presidente da instituição, Pedro Duarte Guimarães. A abertura da investigação, que está em andamento sob sigilo, foi confirmada pelo Estadão

Cinco funcionárias relataram abordagens inapropriadas do presidente do banco. A revelação das denúncias foi feita pelo site Metrópoles na terça-feira, 28.

Dentro do banco, a abertura da investigação fez crescer a pressão para que o executivo deixe o cargo. Fontes ouvidas pelo Estadão dizem que a situação ficou insustentável. Na noite de terça, 28, a Caixa informou que o pronunciamento e a entrevista coletiva com Guimarães, previstos para esta quarta,  foram cancelados. O banco promoverá um evento em Brasília para tratar da estratégia para o Plano Safra 22/23. Além de fazer um pronunciamento, Guimarães responderia a perguntas de jornalistas. A Caixa não informou o motivo dos cancelamentos. 

Pressão política

A ala política do governo também pressiona por uma demissão imediata. O entorno do chefe do Executivo, no entanto, ainda evita cravar qual será a decisão sobre Pedro Guimarães, aliado de primeira hora do presidente.

Na avaliação de interlocutores do Centrão, Bolsonaro “não pode arriscar” manter no cargo um auxiliar com denúncias de assédio no momento em que tenta ganhar popularidade entre as mulheres, segmento do eleitorado no qual enfrenta grande rejeição. O presidente é pré-candidato à reeleição e, em todas as pesquisas de intenção de voto, hoje perderia a disputa para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Proximidade

Pedro Guimarães é muito próximo de  Jair Bolsonaro, e também há um temor entre pessoas ligadas à campanha do presidente à reeleição de que as denúncias acabem tendo um efeito negativo. O executivo da Caixa é presença constante nas lives do presidente, que o apelidou de PG2, em referência a Paulo Guedes, chamado de PG. O nome de Guimarães já chegou a circular como um eventual ministro da Economia, em caso de saída de Guedes.  

O líder da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou um requerimento solicitando a convocação de Pedro Guimarães para que ele esclareça denúncias de assédio sexual. O documento foi apresentado na Comissão de Direitos Humanos (CDH).

No requerimento, Randolfe pontua que a convocação “será fundamental para a proteção das mulheres trabalhadoras da Caixa Econômica Federal, que até então nunca havia passado por escândalo semelhante em seus em seus 161 anos de existência”.

Relatos

Segundo um dos relatos feitos ao Metrópoles, uma funcionária diz que o presidente do banco teria passado a mão em suas nádegas. Em outro caso, o executivo teria convidado outra funcionária para dentro de seu quarto de um hotel, para entregar o que fora pedido, quando pediu a ela para tomar um banho e voltar para conversar sobre a carreira em seu quarto. 

Em outra viagem, segundo o site, Guimarães teria colocado o celular e a chave do seu quarto do hotel no bolso de uma funcionária e dito a frase “vou botar aí na frente”.

Não é a primeira vez que o nome do executivo aparece associado a denúncias de assédio. No primeiro ano do governo, em 2019, Guimarães teria sido flagrado junto com uma funcionária do banco dentro do carro no estacionamento na sede da instituição.  A denúncia, no entanto, não foi à frente.

Procurado pelo Estadão, o Ministério Público Federal afirmou que não fornece informações sobre procedimentos sigilosos. A Caixa não respondeu aos questionamentos do Estadão até a publicação desta reportagem. 

Em nota enviada ao Metrópoles, a Caixa informou que não tem conhecimento sobre as denúncias de assédio sexual contra Guimarães e que tem protocolos de prevenção contra casos de qualquer tipo de prática indevida por seus funcionários.

“A Caixa não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo. A Caixa esclarece que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio. O banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de ‘qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça’, informou, em nota ao site.

Notificação por flexões

No fim do ano passado, durante um evento de metas, Guimarães pediu que funcionários da Caixa fizessem flexões de braço. À época, o Sindicato dos Bancários do ABC ligou a conduta do presidente da Caixa à do presidente Jair Bolsonaro.

O Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal notificou Guimarães e recomendou que o presidente da instituição se abstenha de submeter os colaboradores a casos de mesmo teor e outras ‘situações de constrangimento no trabalho’ sob pena de abertura de um procedimento investigatório e adoção de medidas para correção da conduta, sem embargo de responsabilizações civil, criminal e administrativa’.

O texto do Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal destacou que o gesto consistia em violência psicológica, tendo o ‘condão de produzir graves consequências à saúde mental dos trabalhadores’. / COLABORARAM MATHEUS PIOVESANA E IZAEL PEREIRA

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