Sucessor terá de manter BRF enxuta e avançar fronteiras

Empresa busca aquisições baratas no exterior; Pedro Faria, presidente da área internacional, é o mais cotado para o cargo

FERNANDO SCHELLER, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2014 | 02h04

O primeiro capítulo da definição do sucessor de Claudio Galeazzi no comando da BRF está marcado para o fim deste mês. Os nomes dos candidatos ao cargo serão apresentados no dia 28, na próxima reunião do Conselho de Administração da fabricante de alimentos, apurou o 'Estado'.

Fontes de mercado apontam Pedro Faria, hoje presidente da área internacional da BRF, como o favorito. O executivo é um dos fundadores da gestora de recursos Tarpon, que tem uma fatia superior a 10% na BRF. No ano passado, a Tarpon teve um papel importante ao levar o empresário Abilio Diniz, ex-Pão de Açúcar, à presidência do conselho de administração da BRF.

Embora Faria seja visto como o principal candidato, há outros nomes sendo cogitados. Um deles seria Antonio Ramatis, homem de confiança de Abilio. Ex-Via Varejo, o executivo hoje faz parte da equipe da Península, holding de investimento da família Diniz.

No entanto, o Estado apurou que, dentro da BRF, a preferência seria por um nome da casa, que já esteja familiarizado com as metas da atual gestão.

Quando se consideram as ambições internacionais da BRF, a indicação de Faria fica ainda mais forte. Isso porque, nos últimos meses, o presidente da área internacional da companhia tem sido o responsável por readequar as operações lá fora e por buscar oportunidades de aquisições no exterior. "Ele fica fora do País uns 25 dias por mês e se reúne periodicamente com Galeazzi para dizer o que viu", disse uma fonte.

Assim que o nome for definido, Galeazzi deve usar parte de seu tempo nos próximos meses para preparar pessoalmente o sucessor. O Estado apurou que ele deve atuar como "coach" do escolhido. Em 2015, depois de um período sabático, em que pretende escrever um livro sobre sua carreira, a aposta é que o executivo assuma uma cadeira no conselho da gigante dos alimentos. Questionado sobre essa possibilidade, o executivo se recusou a fazer comentários.

Desafios. Independentemente de quem vai assumir a cadeira de Galeazzi, os desafios serão manter a companhia "enxuta", buscando oportunidades baratas de expansão. No Brasil, a principal meta será promover o crescimento orgânico. Hoje, a BRF está presente em 152 mil pontos de venda no País. A meta é superar a marca de 200 mil nos próximos dois anos.

Segundo Galeazzi, hoje existem cerca de 500 mil pontos de vendas de alimentos no País. O desafio da equipe comercial é apostar nos pequenos municípios. Segundo Galeazzi, nessas regiões o consumidor está disposto a pagar mais pelas marcas da BRF.

No mercado externo, a estratégia será promover a expansão da companhia para a China, onde a BRF já mantém conversas para uma possível joint venture com um parceiro estatal. Além disso, terá de negociar parcerias para voltar a ter uma presença relevante na Rússia. Em 2009, a Sadia vendeu sua participação na empresa Miratorg.

Preço. A BRF não definiu um "teto" para o valor de aquisições, mas não pretende comprar ativos muito caros. "Não estamos atrás de grandes aquisições", disse Galeazzi. Apesar do apetite para expandir sua atuação lá fora, o equilíbrio de origem das receitas da companhia não deve mudar radicalmente no curto prazo. A fatia do mercado internacional deverá ficar entre 40% e 45%.

A Sadia, no entanto, não tem condições de acompanhar esse processo de internacionalização para virar uma marca global. "O custo de criar uma marca é muito alto, com pesado investimento em divulgação. O bom senso é pegar uma marca local existente e associá-la à Sadia aos poucos", disse Galeazzi.

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