Sudoeste baiano tem boom de obras

O sudoeste da Bahia está em ebulição. Além dos parques eólicos que movimentaram - e continuarão movimentando nos próximos meses - o dia a dia do sertanejo, a construção da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e a exploração de minério também prometem trazer progresso para a região. A estrada de ferro já foi iniciada, mas alguns trechos foram paralisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeitas de irregularidades.

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h05

O licenciamento ambiental também não tem sido fácil por causa de cavernas existentes no meio do traçado. Mas o governo não vai desistir do projeto. "Para a cidade, a ferrovia é essencial. Ela vai tirar os caminhões que hoje passam por dentro da cidade", afirma o secretário de Meio Ambiente de Caetité, João Antônio Portella Lopes.

A cidade também é sede do Projeto Pedra de Ferro da Bahia Mineração, empresa que foi comprada por um grupo de investidores do Casaquistão. A previsão é que a mina, com capacidade para produzir aproximadamente 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, inicie suas operações em 2014. No momento, afirma Lopes, a empresa está fazendo testes para verificar a qualidade do minério e saber se há aceitação no mercado internacional.

O único negócio que não é bem recebido na região é a exploração de urânio, que já foi motivo de uma série de protestos e confusões em Caetité. Em 2008, foi detectada uma contaminação da água da cidade. Desde então, a população vive com medo de que algo mais grave possa ocorrer.

De qualquer forma, os novos investimentos trouxeram alento para o sertanejo. Até aqueles que desistiram de esperar o progresso da região estão mudando de ideia. É o caso do filho de Manoel Cirico Cotrim. Ele conta que, depois de 18 anos em São Paulo, o filho estará de volta no próximo mês. Nesse tempo fora, conseguiu guardar dinheiro e construir uma casa e uma padaria, que será inaugurada em breve em Morrinhos, distrito de Guanambi. Será a primeira padaria da comunidade, que tem apenas 3 mil habitantes.

O filho de Joaquim José, de 60 anos, também deverá fazer o mesmo caminho. Nesse caso, ele ainda não tem emprego definido. "Mas vai procurar na Renova, como os dois outros irmãos que já estão trabalhando lá", diz o ex-cortador de cana. "Essa região é boa demais. Não tem água, mas venta bastante."

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