Reprodução/Forbes
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Suíça atrai mais milionários brasileiros

No ano passado, 17 brasileiros compraram visto de longa duração para o país europeu

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2017 | 05h00

GENEBRA - Os milionários brasileiros estão entre os que mais solicitaram, no ano passado, um visto de longa duração na Suíça, o primeiro passo para estabelecer uma residência no país. Dados oficiais das autoridades apontaram que um total de 17 brasileiros ricos compraram um visto nos Alpes no ano passado. O número colocou o Brasil na quinta posição entre as nacionalidades que mais compraram a autorização.

Pelas regras suíças, emigrar ao paraíso fiscal exige uma série de trâmites, cada vez mais restritos. Mas, ao mesmo tempo, as leis também permitem que um estrangeiro compre o visto, conhecido como “Permis B”. A condição, porém, é de que ele tenha posses e cumpra “interesses fiscais consideráveis”. Na prática, os suíços abrem suas fronteiras para aqueles que queiram levar suas fortunas ao país e, de quebra, deixam parte dela em impostos. De acordo com a Secretaria de Estado de Migrações, um total de 523 estrangeiros compraram o visto de residência em 2016. 

Segundo o jornal Aargauer Zeintung, de uma forma avassaladora, os russos dominaram a lista, com 165 casos. O segundo lugar ficou com os turcos, com 36 compras de visto, seguidos por 21 americanos e 20 canadenses. Na quinta posição estão os brasileiros, com 17 casos no ano passado. O nome dos envolvidos não foi revelado, nem as condições da mudança da fortuna para o país.

Além de demonstrar capacidade de trazer dinheiro para a Suíça, o estrangeiro é obrigado a pagar pelo menos US$ 50 mil pelo trâmite, além de todos os gastos com intermediários, advogados e contadores. Os suíços não revelam quanto exigem para que autorizem um estrangeiro a negociar a mudança de sua fortuna ao país.

Em comparação a outras regiões do mundo, o preço do visto suíço não é dos mais elevados. No Canadá, o interessado precisa investir US$ 800 mil para obter algum tipo de visto temporário. Nos EUA, o valor é de US$ 500 mil e existem até mesmo empresas que ajudam investidores a melhor aplicar o dinheiro para se mudar a cidades americanas. 

Na Ásia está um dos vistos mais caros: o serviço em Hong Kong chega a custar US$ 1,3 milhão. Em Portugal, dezenas de brasileiros também se aproveitaram do sistema existente para obter o “golden visa”. Para isso, porém, são obrigados a comprar um imóvel no país.

No caso suíço, depois de cinco anos com um visto temporário, o beneficiado pode receber uma autorização permanente de residência, dependendo das condições nas quais se encontra. 

Lemann. A chegada de novas fortunas brasileiras à Suíça não surpreende os bancos e autoridades locais. De fato, o empresário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann ocupa a segunda posição entre as maiores fortunas da Suíça.

Numa classificação publicada pela revista suíça Bilan, Lemann soma pelo menos US$ 27 bilhões. No entanto, ele teria perdido US$ 1 bilhão em 2016. Ainda assim, continua como o segundo homem mais rico do país, que acumula US$ 6 trilhões em depósitos em 266 bancos. A liderança de riqueza na Suíça é da família Kamprad, da Suécia, donos da rede Ikea de móveis e objetos de casa. Nos bancos suíços, eles têm US$ 45 bilhões. 

Mas Lemann superou a família Hoffmann e Oeri, com uma fortuna no setor farmacêutico calculada em US$ 23 bilhões. A família é a principal acionista da empresa Roche. O quarto lugar vem para outra família com ligações com o Brasil. Com US$ 17 bilhões, a família de Joseph Safra teria ganho US$ 1 bilhão no ano.

A ascensão de Lemann chama a atenção até mesmo dos suíços. Até 2011, ele ocupava “apenas” a nona posição entre as pessoas mais ricas da Suíça. Em 2013, o brasileiro passou a estar entre as três maiores fortunas do país, com um valor total de 20 a 21 bilhões de francos suíços. Entre seus ativos está a Heinz, a rede Burger King e, principalmente, 15% das ações da maior empresa de cervejas do mundo, a Anheuser-Busch InBev. Filho de um fabricante de queijos que abandonou a região de Emmental e tentou sua sorte no Brasil, Lemann vive parte de seu tempo à beira do lago de Zurique.

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