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Suíça barra acordo de cooperação penal com Brasil

Entendimento permitiria que informações sobre casos de lavagem de dinheiro fossem enviadas à Justiça

07 de novembro de 2007 | 16h18

A Justiça suíça barrou um acordo de cooperação em matéria penal com o Brasil. Por recomendação do Poder Executivo, o Parlamento suíço colocou na geladeira um entendimento que poderia permitir que informações sobre casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros fossem enviadas à Justiça no Brasil com maior facilidade.   Veja também:  PF prende 19 em operação contra evasão via bancos suíços   Na Suíça, porém, o tema é tratado com cautela e, no governo, não se descarta que as ações do Brasil contra os banqueiros suíços possam contaminar a primeira visita de Estado do presidente Luis Inácio Lula da Silva ao país dos Alpes, em janeiro.   O Brasil passou os últimos quatro anos negociando acordos de cooperação em matéria judicial com vários governos. No caso dos suíços, um entendimento foi fechado em 2004. Mas nunca foi aprovado pelo Parlamento suíço.   Veja mais informações na reportagem do correspondente Jamil Chade na edição desta quinta-feira, 8, no jornal O Estado de S. Paulo.   Operação Kaspar 2   Este entendimento poderia facilitar operações como a Kaspar 2, que desarticulou um esquema montado por bancos estrangeiros para lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação levou para a cadeia 20 pessoas - grandes empresários, doleiros, um policial militar de São Paulo e dirigentes das instituições financeiras. Em um ano e meio de atuação, o grupo teria causado um prejuízo de R$ 1 bilhão ao governo.   Um dos participantes do esquema, o executivo do banco suíço UBS Luc Mark Depensaz, ao ser preso, desdenhou das instituições brasileiras. "Eu não vou ficar preso. Quem tem dinheiro neste País não fica preso", disse a um dos agentes federais que o levaram à custódia da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa.   Para se distanciar do escândalo, o UBS divulgou uma nota em que garante que as acusações não têm qualquer relação com suas atividades e nega que esteja sendo investigado pela Polícia Federal. A família do funcionário detido também se queixou da falta de apoio do banco.   "Os negócios do UBS-Pactual e seus profissionais não estão envolvidos nesta questão", diz o comunicado. A operação Kaspar II, da Polícia Federal, investiga suposto esquema de remessas ilegais de recursos e sonegação fiscal.   O banco, porém, admite o envolvimento de seu funcionário. "O UBS confirma que um de seus funcionários, baseado na Suíça, foi preso em uma operação conduzida pela Polícia Federal do Brasil", disse. Mas rejeita a tese de que esteja sendo alvo de uma investigação. "O UBS não tem conhecimento de ser objeto de qualquer investigação no Brasil.   Entretanto, o UBS está em contato com as autoridades brasileiras, uma vez que o fato envolve um funcionário da instituição", afirmou o banco no seu comunicado.   O UBS não revelou se estava realizando uma investigação interna para saber como o funcionário havia cometido as suspeitas violações de regras. O banco também não comentou se o funcionário seria suspenso ou demitido.   Os representantes do banco, porém, insistiram que o UBS tem como parâmetro leis que proíbem ações irregulares. "Temos claras diretrizes vigentes para assegurar cumprimento das leis e regulamentações", afirmou a nota.   No meio financeiro de Genebra, porém, a explicação do banco não convenceu. Para analistas de outras instituições conhecedores das práticas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, a estratégia do UBS de se distanciar do escândalo serve tanto para evitar problemas com a Justiça como para garantir que sua credibilidade no mercado não seja afetada.   A família do funcionário preso, Luc Marc Depensaz, também criticou na terça a falta de assistência do banco enquanto o suíço está preso no Brasil. "Estou muito mal, sozinha com minhas crianças", afirmou Elisabeth, esposa do suspeito.    

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