Suíça Barry Callebaut abre fábrica em MG

A unidade brasileira da maior produtora de chocolates do mundo foi inaugurada em Extrema; empresa quer investir no segmento 'gourmet'

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

A suíça Barry Callebaut, maior fabricante de chocolates do mundo, inaugurou ontem sua fábrica em Extrema (MG), apostando no crescimento do mercado "gourmet" para o produto no Brasil. Oitenta por cento do que a nova unidade produzir será destinado a padarias, restaurantes, bufês e lojas especializadas. O quilo do produto que sairá da linha de produção mineira deverá custar R$ 18.

A primeira linha de produção de chocolate acabado da Barry Callebaut no País ? a empresa já mantém uma beneficiadora de cacau em Ilhéus, na Bahia ? poderá inicialmente produzir 20 mil toneladas de chocolate por ano. O que não for absorvido pelo mercado premium será vendido diretamente às indústrias, em forma líquida. Entre os potenciais clientes da Barry Callebaut neste segmento estão a Bauducco e a Kopenhagen, que também têm fábricas em Extrema.

De acordo com o diretor da Barry Callebaut Brasil, Bertrand Remy, o galpão industrial que a empresa construiu com investimentos de R$ 28 milhões permite, porém, que a produção seja multiplicada por quatro.

A operação da companhia no Brasil faz parte da estratégia de crescer em nações emergentes, iniciada há sete anos na Ásia. Hoje, 17% da receita anual de R$ 7,9 bilhões da empresa no mundo já vêm desses novos mercados. O restante está concentrado na Europa e na América do Norte.

Segundo executivos, o Brasil é o ponto de partida para a abertura do mercado de chocolates especiais na América Latina. A operação, entretanto, começa pequena: as 20 mil toneladas que sairão das linhas de produção de Extrema representam menos de 2% da capacidade total de produção da Barry Callebaut, estimada em 1,2 milhão de toneladas.

A opção de iniciar a atuação no Brasil pelo segmento de chocolates premium contrasta com a estratégia global da companhia. A maior parte do faturamento mundial da empresa (55%) vem do fornecimento de chocolate a grandes fabricantes. Em seguida vêm o fornecimento ao mercado gourmet (27%) e a venda direta ao consumidor (18%).

Bom gosto. Para medir o paladar do mercado de chocolates finos no País, a Barry Callebaut fez testes cegos ? segundo Remy, os resultados mostraram que era possível oferecer no País um produto "menos doce" do que o geralmente associado ao gosto nacional. A aproximação com o setor de chocolate de alto padrão continuará com a criação de um laboratório da marca, provavelmente a ser aberto em São Paulo, onde também fica o escritório de vendas da Barry Callebaut no Brasil. Ali, chefs e apreciadores do produto poderão testar receitas e fazer cursos.

Bertrand Remy diz que o mercado gourmet para o chocolate brasileiro não é desprezível. "O País tem mais de 55 mil padarias", destaca. A Barry Callebaut vai distribuir o produto em 25 mil pontos de venda por meio de parceria exclusiva com Bunge.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab), Getúlio Ursulino Netto, o consumo de chocolates especiais cresce à medida que a renda do País aumenta. Mas esse processo não é necessariamente rápido: hoje, o chocolate ao leite e os bombons são 76% do consumo do produto no País. O chocolate amargo, associado a produtos "gourmet", representa 8% das vendas.

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