Suíça faz seus próprios testes de estresse; UBS e Crédit Suisse passam

BC suíço, contudo, aconselhou as duas instituições financeiras a reduzirem suas alavancagens e a melhorar seu capital

Renato Martins, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 16h22

A Finma, autoridade reguladora do sistema financeiro da Suíça, disse que o UBS e o Crédit Suisse, maiores bancos do país, são suficientemente fortes para suportar novos choques, tais como uma nova recessão global simultânea a quedas fortes nos mercados financeiros e nos preços dos imóveis. O banco central da Suíça (SNB), por sua vez, exortou UBS e Crédit Suisse a continuarem a reduzir suas alavancagens e a melhorar seu capital.

Em comunicado, a Finma disse que "caso tal evento de estresse aconteça, ambos os bancos ainda têm uma base de capital sólida, com taxas de capital de nível 1 de pelo menos 8%". O órgão ressalvou que os testes de estresse se baseiam em estimativas e não têm como levar em conta todos os resultados possíveis.

O UBS e o Crédit Suisse têm níveis de capital mais elevados do que seus concorrentes internacionais, em parte porque têm unidades substanciais de private banking para clientes muito ricos. No segundo trimestre, a taxa de capital de nível 1 do Crédit Suisse estava em 16,3%, enquanto a do UBS estava em 16% no primeiro trimestre (o UBS divulga os resultados do segundo trimestre somente na próxima terça-feira).

A Finma disse que UBS e Crédit Suisse passaram por testes de estresse "duas vezes mais severos" do que os da União Europeia. Os dois bancos suíços divulgaram comunicados elogiando os resultados.

Já o SNB, que também elogiou os resultados dos testes feitos pela Finma, disse que "isso não deveria desencorajar os dois bancos de continuar a reduzir suas taxas de alavancagem e a melhorar o capital de seus acionistas, como ambos fizeram no passado". Em 2008, o SNB assumiu um fundo de ativos sem liquidez do UBS.

O Crédit Suisse, que atravessou a crise financeira com mais sucesso do que o UBS, pediu ao governo suíço que continue alinhado com as regulamentações internacionais. O CEO do banco, Brady Dougan, alertou sobre "repercussões" para a economia da Suíça caso a regulamentação bancária do país "saia demais de linha" por ficar rigorosa demais.

A Finma disse que seus testes partiram do mesmo ponto de vista dos que foram realizados pela União Europeia, mas foram mais rigorosos. "A especificidade da Suíça, de ter grandes bancos com importância sistêmica, requer a elaboração de cenários particularmente severos", afirmou o órgão. As informações são da Dow Jones.

 
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