Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Suíça pedirá contrapartidas para colaborar em investigação

País vai condicionar cooperação com o Brasil nas investigações sobre banqueiros do UBS e do Credit Suisse

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2009 | 16h01

A Suíça pode ter flexibilizado seu segredo bancário, mas alerta que vai condicionar qualquer cooperação com o Brasil nas investigações sobre os banqueiros do UBS e do Credit Suisse, acusados em São Paulo por ter colaborado com lavagem de dinheiro. Nesta terça-feira, 24, a ministra de Justiça da Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, afirmou que pedirá contrapartidas do Brasil se receber um pedido de cooperação nesses casos envolvendo os banqueiros. Ela ainda confirmou que as investigações sobre suspeitas de pagamentos de propina da Alstom envolvem ligações com o Brasil.

 

Há uma semana, pressionada pelos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, a Suíça revelou que estaria disposta a rever parte de seu segredo bancário para responder às demandas de países por assistência jurídica em caso de fraudes. Mas, nesta terça-feira, 24, a ministra deixou claro que a flexibilização mudará pouco o comportamento do governo.

 

"A cooperação é uma questão de reciprocidade", afirmou. Ela confirmou que seu departamento estava "acompanhando" o caso dos banqueiros suíços investigados no Brasil. "Sabemos que temos colaboradores dos bancos envolvidos e que estão com problemas", disse. O Brasil tem um acordo assinado com o governo suíço para a cooperação em investigações de corrupção e fraude. Mas a ministra aponta que, até agora, o governo não usou essa mecanismo para coletar informações.

 

Banqueiros suíços prestaram depoimento no Brasil há duas semanas, na tentativa da Justiça de decifrar qual foi a participação do UBS e do Credit Suisse na suspeita de evasão de milhões de dólares do País. O Ministério Público também investiga lavagem de dinheiro e o envolvimento de doleiros nas operações dos bancos.

 

Segundo as investigações da Operação Kaspar e da Operação Suíça, mais de US$ 1 bilhão foram levados do Brasil aos bancos suíços. As gerências dos bancos, em Genebra, rejeitam a acusação e afirmam que não trabalham com doleiros. Mas tanto emails entre a gerência e os banqueiros e mesmo informações de pessoas próximas ao processo ao Estado confirmaram que os doleiros faziam as transações dentro dos próprios escritórios dos bancos suíços em São Paulo.

 

Segundo a ministra, o Brasil até o momento não pediu oficialmente uma ajuda na investigação sobre a Operação Suíça ou Operação Kaspar. "Estamos prontos a cooperar. Mas para isso o Brasil também terá de cooperar conosco", disse. Questionada sobre quais pontos ela buscaria ajuda do Brasil, a ministra se recusou a dar detalhes.

 

"Não posso revelar. São casos ainda em investigação", disse. Alstom - A ministra de Justiça da Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, ainda explicou que as investigações em relação ao suposto esquema de pagamentos de propinas por parte da Alstom ainda estão ocorrendo. "O processo ainda está em curso", disse. Ela confirma que há uma "ligação" com o Brasil.

 

A Procuradoria Geral da Suíça conta com informações precisas sobre suspeitas de pagamentos de propinas a empresas ligadas à funcionários públicos no Brasil pela Alstom. Um dos esquemas investigados pelos suíços é o uso do Uruguai como caminho do dinheiro. Mais de US$ 50 milhões poderiam ter passado por esse canal ao País em quase uma década por empresas off-shore.

 

Parte da suspeita é de que o dinheiro teria ido para garantir o contrato do Metro de São Paulo. A procuradoria estima que os pagamentos de propinas em todo o mundo nos últimos dez anos superaram a marca de 500 milhões de francos suíços, valor rejeitado pela Alstom. "Não podemos revelar nada ainda do processo", completou a ministra.

Tudo o que sabemos sobre:
UBSCredit SuisseSuíça

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.