Suíça quer fechar acordos comerciais com o Brasil

Sem uma data para a conclusão das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Suíça anuncia que quer fechar acordos comerciais e de investimentos com o Brasil. A nova estratégia de política comercial suíça foi anunciada nesta semana e revela que o país quer iniciar um diálogo ainda com a China, Índia e Rússia para ganhar mercados. Na avaliação do governo suíço, esses quatro países (conhecidos pela sigla Brics) devem ser prioridade em suas iniciativas diplomáticas diante das oportunidades de negócios e dos crescimentos desses mercados. Há cerca de um mês, a União Européia anunciou também sua "nova política comercial", já prevendo que os acordos da OMC não dariam o resultado esperado.No caso do Brasil, porém, o corte total de tarifas com a Suíça não seria possível para o curto prazo, mesmo que o projeto esteja listado como meta dos suíços. Berna, conscientes das dificuldades, elaborou uma lista de medidas mais realistas que quer começar a debater com Brasília. Mas se um acordo de livre comércio com o Brasil vai ficar para o futuro, os suíços deixam claro que querem para já entendimentos com Rússia, Índia e China. Com o Brasil, a aproximação ocorrerá por outros meio, por enquanto. A primeira medida seria a criação de um acordo de proteção de investimentos e um entendimento para evitar a bitributação. Uma comissão mista ainda seria criada entre os dois governos e, ainda neste ano, uma missão empresarial deve visitar o País. Os suíços afirmam estar perdendo espaço no Brasil, apesar de contar com empresas como a Nestlé, Novartis e Roche no País. As exportações suíças, que já superaram US$ 1 bilhão, vem perdendo lugar para outros concorrentes e se estagnou. No documento preparado pelo governo suíço, parte da culpa seria ainda a valorização do real. No que se refere aos investimentos, a Suíça chegou a ter mais de US$ 5 bilhões em 2000 no País, mas hoje concentra seus esforços na China. Mesmo assim, Berna aposta no Brasil, principalmente no setor farmacêutico e de equipamentos médicos, além de microtecnologia e energia. No setor de serviços bancários, os suíços estão de olho na área de gestão de fortuna e bancos de investimentos. Tanto o UBS como o Credit Suisse fizeram aquisições importantes no País em 2006.Pela estratégia suíça, revelada em um documento oficial de Berna, uma negociação para a criação de uma área e livre comércio com o Brasil seria iniciada depois que Mercosul e União Européia (UE) fecharem seu acordo. O processo entre Bruxelas e Brasília, porém, está interrompido desde 2004 e a esperança é de que possa ser concluído em 2007.O projeto de Berna seria de aproximar o Mercosul à Associação Européia de Livre Comércio, formada pela Noruega, Islândia e Liechtenstein, além da Suíça. Os dois blocos tiveram alguns contatos em 2000, mas o projeto foi paralisado diante da constatação de que dificilmente os europeus aceitariam cortar tarifas para os produtos agrícolas do Mercosul. Noruega e Suíça, por exemplo, tem algumas das tarifas mais elevadas do mundo.BarreirasSe os suíços querem mais facilidades nas relações com o Brasil, isso é porque as empresas do país não poupam críticas às supostas dificuldades que enfrentam no mercado brasileiro. Uma pesquisa feita por Berna com suas multinacionais concluiu que as barreiras ainda são grandes para exportar ou investir no País. Um dos problemas seria a exigência de licenças de importação para equipamentos médicos e suas peças. Outro obstáculo são os longos processos para registrar patentes, afetando as farmacêuticas suíças. Para completar, a proteção das patentes não seria garantida e a pirataria seria ampla. No setor financeiro, o monopólio estatal em resseguros impede a entrada de empresas como a Swiss Re, uma das maiores do mundo. Regulação trabalhista, corrupção, sistema judicial ineficiente e alta cargas de impostos são algumas das outras críticas feitas pelo setor privado suíço ao Brasil. Há um mês, o presidente da Swatch, Nicolas Hayek, afirmou que não investiria no País enquanto a corrupção não fosse combatida. CenáriosA escolha dos suíços pelos quatro países, porém, ocorre por causa das projeções de crescimento que esses mercados podem ter nos próximos anos. Para os suíços, os mercados emergentes podem chegar a ter o mesmo nível de desenvolvimento que os países ricos, em 2050. Mas lembram que "apenas o Brasil está um passo atrás, com crescimento de média de 2% ao ano".Mesmo assim, considera como um mercado importante. Índia e Brasil, por exemplo, continuam com um aumento da população de mais de 1% por ano. Juntos, os Brics contam com 40% da população mundial.

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