Suíça rejeita criação de salário mínimo de R$ 10 mil

Preocupados com possível aumento do desemprego, 76% dos suíços votaram contra a proposta

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2014 | 02h05

GENEBRA - A Suíça rejeitou a criação do salário mínimo mais alto do mundo, de cerca de R$ 10 mil, e, ironicamente, a decisão foi tomada pelos próprios cidadãos. Ontem, em uma votação, 76% dos suíços rejeitaram a proposta dos sindicatos de criar o valor mínimo para os salários no país.

Cerca de 2,2 milhões de pessoas votaram contra a ideia, aceitando os argumentos de uma aliança formada pelo governo, fazendeiros, partidos de direita e empresários. Esses grupos alertavam que o valor significaria o fechamento de pequenas empresas e a demissão de trabalhadores por parte de companhias que não teriam como pagar o salário. A taxa de desemprego na Suíça é de 3,2%.

Já os sindicatos alegavam que ganhar 4 mil francos (US$ 4,4 mil) era uma condição mínima para que uma pessoa possa viver de forma decente nas cidades suíças. Mas não conseguiram convencer nem mesmo o eleitorado de esquerda. Todos os cantões votaram contra a proposta.

O salário mínimo, se tivesse sido aprovado, seria mais de quatro vezes o valor estipulado na Espanha e três vezes o alemão. "Isso teria levado a um aumento do desemprego", disse o ministro da Economia, Johann Schneider-Ammann, que temia a perda de competitividade da indústria local. Ele ainda apontou que mais de 91% da população ganha mais que o salário proposto e que o sistema provou que "já funciona".

Apesar da vitória do não, os sindicatos alertam que a iniciativa não foi derrotada. Durante a campanha, dezenas de empresas aumentaram seus salários para seus trabalhadores como forma de frear o apoio à iniciativa.

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