Suicídios em fornecedor da Apple chegam a 10

Chinesa Foxconn é acusada de ter um estilo de administração rígido e de sujeitar funcionários a trabalho excessivo

William Foreman, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

ASSOCIATED PRESS

GUANGZHOU, CHINA

Um trabalhador da Foxconn Technology tentou se matar ontem, tornando-se a 13.ª pessoa neste ano a cometer suicídio ou a tentá-lo na companhia, que fabrica produtos de alta tecnologia para gigantes do setor como Apple, Dell e Hewlett-Packard, segundo a mídia estatal chinesa. Desse total, foram 10 mortes.

A polícia informou que o homem sobreviveu após se cortar em seu dormitório na fábrica, segundo uma reportagem da agência de notícias Xinhua (Nova China). A agência informou que o homem de 25 anos, de sobrenome Chen, migrou da Província de Hunan, no centro do país, e começou a trabalhar na Foxconn há dois meses. Procurados, representantes da Foxconn e da polícia não se pronuciaram.

Os suicídios e tentativas anteriores nas operações da Foxconn Technology Group no sul da China envolveram trabalhadores que saltaram de edifícios. Dois sobreviveram. Outro trabalhador se matou em janeiro em uma fábrica no norte da China.

Promessa. Na quarta-feira à noite, um trabalhador de 23 anos da Província de Gansu, no noroeste do país, se matou saltando da sacada de um dormitório da empresa. Horas antes, o presidente Terry Gou, da Foxconn, havia guiado uma visita da mídia ao parque industrial e prometido trabalhar duro para impedir outras mortes.

Gou disse que não conseguia dormir à noite e tinha pavor de atender o telefone nas horas de folga, temendo mais notícias sobre mortes.

O presidente da Foxconn mostrou uma fábrica de placas-mães, central de telefonia de emergência, e até uma piscina para empregados. O parque industrial murado, onde trabalham 300 mil pessoas, parece uma pequena cidade com ruas ladeadas de palmeiras, restaurantes de fast-food, bancos e uma livraria entre os enormes prédios da fábrica e os prédios de dormitórios.

Gou disse que a companhia faria todo o possível para impedir novas mortes. Redes de segurança estavam sendo instaladas nos prédios e mais conselheiros estavam sendo contratados. Disse também que os empregados estavam sendo divididos em grupos de 50, cujos membros tentariam detectar sinais de perturbação emocional dentro de seu grupo.

Ativistas, porém, acusam a companhia de ter um estilo de administração rígido, uma linha de montagem excessivamente rápida e excesso de trabalho. A Foxconn nega as acusações.

A companhia, parte da Hon Hai Precision Industry Co. de Taiwan, é a maior fabricante mundial por contrato de eletrônicos. Sua extensa lista de clientes famosos inclui as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Apple, Sony, Dell, Nokia e Hewlett-Packard.

A Apple, a Dell e a HP afirmaram que estão investigando a situação, tentando chegar às causas da onda de suicídios. Fizeram questão de afirmar também que exigem de todos os fornecedores que mantenham os mesmos padrões.

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