Suíços passam por testes mais rigorosos

No país onde economia depende da saúde financeira, principais bancos são aprovados

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O governo da Suíça declarou ontem que seus bancos são os mais resistentes da Europa. Depois de passar momentos críticos, os bancos do paraíso fiscal receberam o aval dos reguladores do país.

Ontem, as autoridades suíças confirmaram que os dois principais bancos do país - UBS e Credit Suisse - haviam sido aprovados no teste de estresse adotado no país alpino. Segundo os reguladores, o teste na Suíça- feito pela Finma, autoridade reguladora do sistema financeiro do país - foi bem mais rigoroso do que o realizado na Europa. O motivo do rigor era simples: os dois bancos representam pilares fundamentais não apenas das finanças do país, mas da própria sobrevivência econômica da Suíça.

Há pouco mais de um ano, a crise no UBS obrigou o governo a adotar um pacote de resgate que foi considerado como uma medida não apenas para proteger a instituição, mas toda a economia. Juntos, os dois principais bancos detêm fortunas equivalentes a US$ 3 trilhões, sete vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Desafio. Com a crise que eclodiu em 2008, a preocupação era sobre a capacidade dos bancos suíços de permanecerem como centros de referência e ainda não perderem clientes. Apesar da aprovação de ontem, a história não tem sido um mar de rosas. Há seis meses, o UBS ainda sofria uma hemorragia de bilhões de dólares de clientes que, temendo uma quebra, simplesmente abandonaram o banco.

Agora, o teste provou que ambos se recapitalizaram, mesmo que os novos fundos sejam de investidores árabes e asiáticos, e não suíços.

Para passar pelo teste, os dois bancos foram avaliados em 13 cenários diferentes, reunindo recessão da economia, ações em franca queda e congelamento de créditos. Além disso, o cenário mais crítico considerou um "evento de proporções incalculáveis na Europa".

Os bancos teriam sobrevivido ao teste com uma capitalização mínima de 8%. Para os reguladores, o que ajudou é que os bancos suíços estão pouco expostos às economias mais frágeis da Europa, principalmente Grécia, Espanha e Portugal.

Renato Fassbind, diretor financeiro do Credit Suisse, garantiu que os exames que teve de enfrentar não foi aplicado a nenhum outro banco europeu. "Nossa estimativa é de que os testes dos reguladores suíços sejam duas vezes mais rigorosos que os europeus", disse. "Se tivéssemos passado pelo teste europeu, seríamos considerados como um dos bancos mais capitalizados do mundo", garantiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.