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Suíços querem atrair ricos do Brasil

Evasão fiscal cometida em um país estrangeiro não é considerada crime na Suíça

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

07 de novembro de 2007 | 00h00

Os bancos suíços vêm montando nos últimos meses verdadeiras estruturas em seus escritórios em Genebra e Zurique para atender a clientes brasileiros. O UBS e o Credit Suisse contrataram funcionários brasileiros e outros bancos oferecem aulas de português a seus executivos.Na sede do UBS, em Zurique, a ordem é de sigilo total sobre as ordens de prisão dos funcionários do banco no Brasil. O porta-voz da instituição, Douglas Morris, garante que o banco ''''continuará operando normalmente no Brasil'''', mas se recusou a dar detalhe da investigação. ''''Estamos em permanente contato com as autoridades brasileiras'''', afirmou Morris.Os dois suíços suspeitos (Marc Henri Dizerens e Luc Mark Depensaz) trabalham na sede do banco na Suíça. Segundo o UBS, estavam em ''''viagem de trabalho''''. Membros da família de Depensaz disseram ao Estado que souberam da prisão, mas não conseguiram falar com ele e querem evitar que as notícias cheguem a seus filhos. O UBS afirma ''''não saber por que'''' eles foram presos''''.Na Suíça, a evasão fiscal em um país estrangeiro não é crime. Portanto, o dinheiro desviado por evasão e aplicado na Suíça é considerado legal.Nos últimos anos, esses bancos já perceberam que os novos ricos do planeta não virão apenas dos países desenvolvidos, mas dos emergentes, como Índia, China e Brasil. Por isso, uma atenção cada vez maior é dada a clientes desses países, como a criação de departamentos dedicados aos mercados emergentes. No caso do Brasil, o UBS leva economistas brasileiros para atuar em Genebra, com todas as despesas pagas.Em alguns bancos, os funcionários viajam ao Brasil para visitar clientes. A visita de clientes à Suíça também conta com serviços como reuniões em hotel, para evitar que sejam vistos entrando nas agências. Os bancos também não poupam investimentos no Brasil. O UBS e o Credit Suisse já adquiriram instituições financeiras no País.Ontem, a polícia federal suíça e o Ministério da Justiça do país evitaram fazer comentários. Mas, para o porta-voz do governo suíço sobre questões de Justiça, Livio Zanolari, ''''sempre há uma cooperação entre as polícias'''' em temas relacionados a lavagem de dinheiro.A percepção não é a mesma na Embaixada do Brasil em Berna. Quase todas as semanas, cartas rogatórias são enviadas à Justiça suíça pedindo informações sobre crimes financeiros. Em muitos casos, o governo suíço não atende, alegando que o pedido não é ''''suficientemente específico''''. E as autoridades locais praticamente enterraram um tratado entre os dois países, que estabelece a cooperação em matéria penal e na investigação de crimes financeiros.

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