Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

Suíços vão às urnas votar pelo tamanho dos chifres das vacas

Fazendeiros querem subsídios para animais que tenham seus chifres mantidos em tamanho natural 

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2018 | 11h29

GENEBRA - Os suíços irão às urnas no próximo fim de semana para votar em um assunto que está dividindo o país: o tamanho dos chifres das vacas. Símbolos do país alpino e parte de uma cultura rural profundamente respeitada, as vacas suíças têm, em sua grande maioria, seus chifres cortados por questão de segurança. 

Mas a campanha lançada por um fazendeiro quer que o governo conceda um cheque de cerca de US$ 200 por ano para cada vaca que não tenha seus chifres retirados. A constatação é de que, com os chifres, os animais de fato representam um custo maior, diante do risco de ferimentos. 

Estudos mostraram que fazendas com vacas com chifres têm mais casos de ferimentos, tanto entre animais como em relação aos trabalhadores.

Para os autores da proposta, porém, esse aumento no subsídio compensa, já que o bem-estar animal estaria garantido. Os chifres, segundo eles, ajudam as vacas a se comunicar e até regulam sua temperatura corporal.

Assim, o referendo vai perguntar se pecuaristas que deixam as vacas e cabras terem chifres com um crescimento natural e não os cortam têm direito a um subsídio superior aos demais. 

Chamada de "dignidade aos animais", a proposta do referendo partiu de Armin Capaul, fazendeiro que conduziu a campanha por nove anos antes de conseguir as assinaturas suficientes para que o processo de votação fosse aprovado. 

Claudia Capaul e Armin Capaul, que se dizem "rebeldes", explicaram ao Estado que outro fator que pesa é o espaço. "Para ter vacas com chifres, é necessário mais espaço", esclareceu Claudia

Para ela, os fazendeiros precisam "ouvir" suas vacas e alerta que, quando elas têm seus chifres cortados, é "nítido" que ficam tristes. "Precisamos respeitar a natureza." 

O governo já deixou claro que é contra a proposta. Mas, pela lei suíça, se a campanha for aprovada nas urnas, o Executivo não tem outra opção senão implementar a medida. 

Todos os anos anos os fazendeiros suíços recebem US$ 3 bilhões em subsídios agrícolas. Se a proposta fora aprovada no referente, o governo terá de destinar um cheque extra de US$ 30 milhões para os pecuaristas.

De acordo com as últimas pesquisas de opinião, a divisão é de tal dimensão que seria hoje difícil prever um vencedor. 

Mais conteúdo sobre:
Suíça [Europa]pecuária

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.