Suinocultores fecham acordo para aumentar consumo

Representantes da indústria, produtores e supermercados se comprometeram, nesta quarta-feira, em reunião com o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a promover o aumento do consumo de carne suína no mercado nacional. A medida tem como objetivo ajudar o setor a contornar uma das maiores crises que já enfrentou em conseqüência de excesso de produção e de queda de preços.A produção de carne suína, que foi de 2,3 milhão de toneladas no ano passado, deve fechar este ano em 2,8 milhões de toneladas, motivada basicamente pelo aumento das exportações. A estimativa é que existe um excedente de produção de 500 mil toneladas no mercado interno.MercadoA intenção, segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, é conseguir colocar no mercado pelo menos 100 mil toneladas até o final do ano. As exportações de carne suína foram de 247,3 mil toneladas no ano passado, o que gerou uma receita de US$ 346,4 milhões.A maior parte das vendas foi feita para a Rússia. Para este ano, segundo o ministro Pratini de Moraes, a estimativa é de que as vendas externas fiquem entre 400 mil e 500 mil toneladas. ?O grande mercado para a carne de porco é o mercado nacional?, disse o ministro.Baixo consumoO consumo interno de carne de porco é de 11 quilos por habitante, ao ano. Este volume é considerado muito baixo, levando em conta que o consumo per capta nos Estados Unidos é de 31 quilos; na Alemanha, 57 quilos; na Itália, 40 quilos; na França, 38 quilos, e na Espanha, 66 quilos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).Para tentar aumentar o consumo de carne suína no Brasil, os representantes do setor, com o apoio do governo, decidiram adotar uma série de medidas, que vão desde a ampliação dos tipos de cortes pelos frigoríficos e redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) pelos Estados a uma linha de crédito para que os produtores evitem abater as matrizes.PreçoO ministro disse que, para se ampliar o consumo, o produto precisa chegar a um preço mais compatível com o consumidor. Nesse sentido foi proposto que o ICMS seja reduzido durante quatro meses. O ministro Pratini de Moraes se comprometeu a falar com os governadores para reduzir a cobrança do tributo nas vendas que forem feitas internamente nos três Estados do Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná).Os produtores desses três Estados alegaram, no entanto, que 80% das vendas são feitas para outras unidades da federação, o que implica uma decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O representante do Ministério da Fazenda presente à reunião, ficou encarregado de levar o assunto ao Conselho para analisar a possibilidade de fazer algum tipo de convênio que leve à redução do ICMS.FrigoríficosOs representantes dos frigoríficos prometeram ampliar a venda de cortes de suínos para os supermercados ou a vender a carcaça do animal, para que o produto possa chegar ao varejo de forma mais atraente e diversificada. O Ministério da Agricultura também encampou a proposta dos produtores para que seja concedido um financiamento para impedir o abate de matrizes.Para isso, o ministro Pratini de Moraes irá encaminhar voto ao Conselho Monetário Nacional (CMN), propondo a criação de uma linha de crédito de até R$ 100 milhões, com dois anos para pagamento e limite de R$ 60 mil por produtor, com juros de 8,75% ao ano.A solicitação dos produtores, segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos, Adão Braun, era para que o empréstimo fosse de R$ 200,00 por matriz, com juros de 3% ao ano, seguindo a modalidade do Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar (Pronaf).Mas, como o Pronaf é administrado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o que implicaria demora na negociação, acabaram aceitando a proposta do Ministério da Agricultura. Durante a reunião ficou ainda combinado que toda a cadeia produtiva, com o apoio do governo, se empenhará para divulgar a carne suína, por meio de publicações especializadas, propaganda direta junto a consumidor e em eventos do setor.FeiraO presidente da Abras, José Humberto Pires de Araújo, disse que nos dias 23 a 26 deste mês haverá a feira anual dos supermercados no Rio de Janeiro. Nesse evento serão feitas várias demonstrações das vantagens da carne suína. ?Todos os setores entenderam que a ampliação de venda da carne suína é uma oportunidade de negócio que deve se tornar permanente?, observou.Pires de Araújo disse que é preciso mudar o hábito do brasileiro, que só consome carne de porco em datas festivas, e basicamente o produto congelado. Com relação à redução da margem de lucro dos supermercados que, segundo os produtores, chega a até 75% em alguns supermercados do Sul, Pires de Araújo disse que esta é uma questão que depende das empresas.

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