
01 de junho de 2020 | 05h00
Após concluir a aquisição de ativos da Nufarm no Brasil, a Sumitomo Chemical investe em sua estrutura para impulsionar as vendas de defensivos químicos e biológicos no País. A empresa prevê aplicar aqui de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões por ano até 2025. A capacidade de produção de herbicidas na fábrica de Maracanaú (CE) será ampliada de 25% a 30%, e o espaço para armazenamento, em 20%. Também serão construídos dois centros de distribuição em Ariquemes (RO) e Querência (MT) e ampliados os laboratórios do Centro de Pesquisa para América Latina em Mogi-Mirim (SP). Todos os projetos foram mantidos independentemente da pandemia de covid-19. A empresa prevê aumentar em 50% a receita no País em cinco anos. “Quando o negócio cresce nessa proporção, tem que expandir estrutura, produção e pesquisa”, justifica Juan Agustin Ferreira, presidente da Sumitomo Chemical na América Latina. Na área agrícola, o Brasil representa 15% do faturamento global e pode chegar a 35% em 2025.
A aposta para os próximos anos no Brasil está na soja. A Sumitomo desenvolveu um fungicida contra ferrugem, em avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que pode chegar ao mercado na safra 2021/2022. “Acreditamos que o produto vá gerar um crescimento importante das vendas”, conta Ferreira.
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Vem aí. O executivo diz que culturas como soja e milho devem ter bom desempenho este ano. “Nos grandes cultivos voltados à exportação acreditamos que o produtor se beneficiará da desvalorização do real.” Do lado da importação de matérias-primas, que no caso da Sumitomo Chemical vêm de Japão, China e Estados Unidos, a empresa relatou não ter tido problemas até o momento com a pandemia.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi atrás da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para buscar meios de reduzir “penduricalhos” cobrados de produtores na contratação de crédito. Em reunião na semana passada sobre o Plano Safra 2020/21, Bruno Lucchi, superintendente técnico da CNA, disse que agricultor raramente paga só a taxa do crédito. “Além de uns 2% referentes à análise de projeto, há imposto, outros juros, fora a venda casada.” Com o Plano prestes a ser lançado, ele diz que há pontos que cabem ao governo flexibilizar; outros estão nas mãos dos bancos.
A venda casada – quando gerentes condicionam a liberação de crédito à compra de produtos bancários – é queixa recorrente. A prática de atrelar títulos de capitalização, seguros, consórcios ao contrato é proibida, mas produtores em geral aceitam, temendo comprometer a relação com sua agência, explica Lucchi. “Criamos canal de denúncia anônima em novembro de 2019 e choveu denúncia.”
O AgriHub, polo de inovação tecnológica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), lança hoje uma plataforma para conectar produtores a novas soluções. O AgriHub Play terá início como um canal no Youtube com influenciadores digitais e técnicos do setor, conta Otávio Celidônio, coordenador do Agrihub.
A Brado, subsidiária da Rumo que atua em logística de contêineres, está transportando mais algodão por ferrovia. Douglas Goetten, diretor comercial, conta que o pico de movimentação foi no primeiro trimestre, com volume 200% acima de igual período do ano passado. De agosto de 2019 a abril deste ano a companhia movimentou 10.500 TEUs (medida padrão de contêineres) entre o terminal de Rondonópolis (MT) e o Porto de Santos (SP). O mercado externo tem demandado mais algodão do Brasil nesta temporada.
A Tópico, empresa de armazenamento, calcula que pode fechar maio com 260% mais contratos com o setor sucroalcooleiro que em igual período de 2019. Na crise, o etanol está cedendo espaço para o açúcar nas usinas e dobrou a demanda de locação dos galpões flexíveis da empresa na safra 2020/21. “O período de maio a julho deste ano deve ser um dos melhores na história da Tópico, especialmente porque estamos suprindo o déficit de armazenagem para o açúcar”, conta Sergio Gallucci, diretor comercial.
A Banca Ética Latinoamérica, ligada ao europeu Tríodos Bank, chega ao Brasil como um fundo com ambição de virar banco e que deve contribuir para o financiamento da agropecuária. De imediato, aplicará recursos de gestores de fundos do País em projetos de educação e cultura, desenvolvimento social e meio ambiente – braço que abarca agricultura e criação de animais. “Somos uma instituição rentável, que aplica dinheiro nas necessidades da sociedade”, diz Sebastián Cantuarias, diretor executivo da Fundação Dinheiro e Consciência, à frente da iniciativa.
A Banca Ética deve investir em seus primeiros 12 meses de Brasil cerca de US$ 10 milhões em projetos piloto, segundo Cantuarias. Agricultura orgânica e convencional, além de pecuaristas que desejem melhorar suas práticas, estão no foco. A estimativa é de que, em 14 anos, a Banca movimente mais de US$ 131 bilhões no mercado brasileiro.
POR LETICIA PAKULSKI, CLARICE COUTO, ISADORA DUARTE e JULLIANA MARTINS
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