Summers deixa equipe de Obama

Assessor econômico do presidente vai voltar carreira acadêmica na Universidade Harvard

, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

WASHINGTON

O diretor do Conselho Nacional Econômico dos Estados Unidos, Lawrence Summers, abandonará seu cargo em novembro para retomar a carreira acadêmica na Universidade Harvard, informou ontem a Casa Branca em comunicado.

De acordo com a declaração, Summers, que também ocupa o cargo de assessor do presidente Barack Obama para Política Econômica, voltará a Harvard após as eleições legislativas de 2 de novembro.

"Sempre serei agradecido por, em um momento de grande risco para nosso país, um homem de brilho, experiência e bom julgamento como Larry ter aceitado o pedido para liderar nossa equipe econômica", disse Obama em comunicado.

Após a crise dos últimos dois anos, a pior desde os anos 30, "nos resta muito a fazer para reparar os danos sofridos, mas estamos em um caminho melhor graças, em grande medida, aos sábios conselhos de Larry", acrescentou.

Summers disse que sentirá falta de "colaborar com o presidente e sua equipe nos desafios diários da política econômica". "Tenho muita vontade de retornar a Harvard para ensinar e escrever sobre as bases econômicas da criação de emprego e a estabilidade financeira."

Summers, que foi secretário do Tesouro na administração de Bill Clinton e era reitor de Harvard até seu retorno à Casa Branca no governo Obama, continuará assessorando o presidente de modo informal.

O comunicado acrescenta que o ex-secretário do Tesouro continuará também como membro do Painel de Conselheiros Econômicos do presidente, uma entidade independente que se encarrega de aconselhar a Casa Branca sobre os efeitos de sua política econômica, presidido pelo ex-presidente do Federal Reserve Paul Volcker.

Destaque. À frente do Conselho Nacional Econômico, Summers supervisionou a coordenação da política econômica no governo, encarregou-se da seção informativa sobre economia que Obama recebe diariamente e, em muitas ocasiões, foi porta-voz informal para assuntos econômicos da Casa Branca.

Ele foi também um dos arquitetos do plano de estímulo econômico que o Congresso aprovou no ano passado, avaliado em US$ 787 bilhões, e liderou a reestruturação da indústria automobilística após a grave crise entre 2008 e 2009.

Além disso, exerceu um importante papel nas relações econômicas dos EUA com o resto do mundo, especialmente a China, e nas negociações internacionais sobre a mudança climática.

Funcionários próximos a Obama dizem que o presidente se apoiou nos conselhos de Summers durante a crise financeira de 2008-2009.

Mudanças. Summers é o terceiro alto funcionário a sair da equipe econômica de Obama, deixando o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, como o único membro da equipe original ainda no cargo.

O diretor de Orçamento da Casa Branca, Peter Orszag, deixou a equipe econômica em julho e a presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, saiu no início deste mês.

Analistas avaliam que Obama precisa dar um novo rumo à economia, e precisa da confiança em sua liderança num momento em que as pesquisas apontam que ele pode perder seus aliados democratas nas eleições legislativas de novembro.

A popularidade do presidente está bastante baixa, com o país registrando uma taxa de desemprego de 9,6%.

Geithner descreve Summers como uma pessoa que "sempre faz as perguntas mais duras e força debates difíceis sobre a melhor maneira de estimular nossa economia e nosso país".

Acidez. Em alguns episódios vazados para a imprensa, Summers foi acusado de deixar de fora de reuniões decisivas pessoas-chave, incluindo Paul Volcker, Christina Romer e seu sucessor, o economista Austan Goolsbee.

Em seu livro, A Promessa: Presidente Obama, Ano 1, Jonathan Alter descreveu um episódio entre Summers e Christina que terminou com ela dizendo a ele: "Não me humilhe". / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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