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Painel online do Summit ESG discutiu boas práticas para a moda sustentável. Reprodução

Summit ESG: Empresa de moda tem papel na mudança de mentalidade do consumidor

Marcas podem ser indutoras de comportamentos alinhados à sustentabilidade e preservação do meio ambiente

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 19h05

Tornar sustentáveis as empresas de moda ainda esbarra no desafio de educar a sociedade para que se reconheça o valor de peças produzidas sob o cuidado da preservação do meio ambiente. A boa notícia é que as próprias empresas podem ser agentes da mudança de mentalidade dos consumidores. E cada vez mais cumprem esse papel.  

O Summit ESG, evento realizado pelo Estadão, trouxe nesta terça-feira, 15, discussões sobre boas práticas para a moda sustentável. Participaram do debate Mauro Mariz, diretor de Gente, Gestão e Sustentabilidade da Riachuelo; Oskar Metsavaht, fundador da Osklen e do Instituto-E e embaixador da Unesco para Sustentabilidade; e Felipe Guimarães Fleury, docente dos cursos de Negócios da Moda e Design de Moda da Universidade Anhembi Morumbi. A mediação foi de Alice Ferraz, empresária, fundadora da Fhits e colunista do Estadão.

Mariz destacou que hoje as empresas são cobradas não só pelo lucro, mas principalmente sobre como fazem esse lucro. Nesse sentido, ganham cada vez mais relevância as discussões sobre cadeias de produção sustentáveis e atenção às pessoas que participam do processo produtivo. “As empresas precisam ser agentes de mudanças, educando o consumidor.”

Para Fleury, se no passado as empresas ligadas à moda atendiam aos parâmetros ambientais por medo de multa, hoje grandes corporações já trabalham nessa lógica por convicção. Uma das principais referências na moda associada à sustentabilidade, Metsavaht pondera, no entanto, que o desenvolvimento sustentável demanda inovação e que, por isso, não ocorre de uma hora para outra. “Demora para a sociedade entender e valorizar.”

Como toda inovação, peças produzidas sob esses parâmetros podem custar um pouco mais caro. É preciso que os consumidores vejam que há um valor ligado a uma confecção que não destrói florestas e que fomenta o desenvolvimento de comunidades pobres. “Quem consome ajuda aquele pequeno povo que vive da extração ou o projeto de um biólogo. Esse é o ponto de virada”, diz Metsavaht.  

Mariz aponta ainda que o custo das peças tende a ficar menor. Segundo ele, hoje boa parte das matérias-primas são mais sustentáveis, sem que isso leve a nenhum custo adicional. Na Riachuelo, há exemplos de redução do volume de água para produzir jeans, uso de energia renovável e o apoio à capacitação de profissionais no sertão do Nordeste para atuar na costura.

Consumidores devem ficar atentos e verificar se os produtos da moda atendem, de fato, à urgência de preservação ambiental, alerta Fleury. O professor citou o exemplo da fibra de algodão, propagandeada por empresas como sustentável. A produção, no entanto, pode esconder o uso de agrotóxicos, com contaminação do solo, ou de combustíveis fósseis para o transporte.

Outro desafio, segundo os debatedores, é garantir o upcycling na moda, ou seja, o reaproveitamento de materiais. Para Fleury, o processo depende da educação dos consumidores e Metsavaht diz que a logística reversa que promove o upcycling ainda é cara. Alguns passos nesse sentido estão sendo dados, segundo Mariz, para prolongar a vida útil dos produtos. O diretor da Riachuelo citou parceria com a Liga Solidária para facilitar a doação de peças ou a reciclagem de roupas.

Mais do que nunca, segundo os debatedores, parcerias no mundo da moda têm de ganhar força para garantir a sustentabilidade dos projetos. A conexão pode ser feita com cientistas, organizações da sociedade civil e até com outras empresas. “Temos de sair da competição e ir para um modelo colaborativo”, diz Metsavaht. 

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Competitividade das empresas já depende do compromisso com questões ligadas à sustentabilidade

Em palestra online do Summit ESG, realizado pelo 'Estadão', especialistas afirmaram que hoje o tema afeta de pequenas a grandes empresas 

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 15h43

O compromisso com questões ligadas à sustentabilidade passou a ser determinante para a competitividade do setor empresarial como um todo, das pequenas às grandes empresas e, sem ações nessa direção, ficará difícil obter financiamento e até mesmo mão de obra qualificada.

“Já é evidente que está cada vez mais mensurável o risco relacionado às questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) para os negócios”, disse Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU em painel do Summit ESG nesta terça-feira, 15, com o tema “A evolução do conceito ESG e estratégias das empresas”. O evento é realizado pelo Estadão até sexta-feira.

A especialista em sustentabilidade e SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU, Sonia Consiglio Favaretto, disse que “cada vez mais a sustentabilidade é condição para competir”. Segundo ela, entre os ganhos dessa estratégia estão a maior eficiência operacional, menor custo de capital, acesso a mercados e atração de talentos.

Para Onara Lima, diretora de Sustentabilidade do grupo Ambipar, as práticas efetivas trazidas pelas ações socioambientais, sempre pautadas por uma governança bem estabelecida, trazem oportunidades para as empresas. “Quando as empresas observam o quanto podem ser estratégicas dentro dessa agenda, além de mitigar riscos e gerar valor a longo prazo, elas entendem que é possível integrar o ESG com suas estratégias corporativas”, afirmou.

Para empresas que não entendem a diferença entre ESG e sustentabilidade, Onara esclareceu que a agenda que ganhou essa sigla do setor financeiro é o pilar dessas práticas, pois levou para a governança o olhar para as questões sociais e ambientais. A empresa precisa observar, nas suas operações e na sua cadeia, o que é relevante para o seu negócio e trabalhar em questões ligadas a isso.

Pereira citou o exemplo da Ambev, que atua na área de bebidas - que leva muitas pessoas a atrelarem a questão do consumo do álcool como um dos principais causadores de acidentes de trânsito.  Segundo ele, a empresa compreende isso e tem um programa global relacionado a essa questão que inclusive foi exemplo nas Nações Unidas.

A Ambev tem também programas de agricultura sustentável e projetos ligados ao consumo de água. “Ela tem o menor nível de consumo de água por litro de produto”, informa ele. Segundo ele, é importante a empresa não correr o risco de “falar o que não faz ou falar de alguma coisa que não é importante”.

Riscos e oportunidades

Sonia sugeriu que, para as empresas adaptarem seus negócios à agenda ESG tem de ter conhecimento, planejamento e liderança. Para o entendimento, ela pode trabalhar com seu time interno ou com uma consultoria. O planejamento deve ser feito pensando em cenários possíveis e diferentes.

Outro aspecto é a liderança. Presidentes de empresas e de conselhos têm de estar diretamente envolvidos, apoiando a agenda e dando direção. “Uma frase muito comum no meio empresarial é que o tom vem do topo”, ressaltou Sonia.

Para os especialistas, os ganhos de competitividade para empresas que seguem esse caminho já estão determinados pelo mercado. Pereira ressalta ainda que é preciso ter em consideração “que o negócio não mudou, o que mudou foi o mundo, pois os valores hoje são diferentes e o que a sociedade espera das empresas também é diferente.” 

Ele afirmou ainda que as grandes empresas precisam ter responsabilidade com toda sua cadeia e sugeriu que pequenas e médias empresas conhecerem a agenda de sustentabilidade do Sebrae.

Ao ser questionada por empresários sobre o que se ganha ao investir na agenda sustentável, Sonia respondeu que a resposta melhor é o que se perde se não investir. “Cada vez mais a gente aumenta a conta do ganho, e é preciso avaliar os riscos e oportunidades.

Ela citou uma pesquisa feita no ano passado sobre a estratégia para a perenidade nos negócios que trazem recomendações para integrar a agenda no negócio, entre as quais levar o tema para os administradores diretos do negócio, conectar o tema com o negócio, se comunicar com todas as partes interessadas (os stakeholdings).

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Regulação de finanças verdes no Brasil ainda depende de padronização de critérios

Especialistas, em debate online promovido pelo 'Estadão', afirmam que o Brasil pode ser um grande protagonista global em 2030, caso comece a levar sustentabilidade mais a sério

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 17h00

O Brasil tem chances de se tornar uma grande potência até o final de 2030, ainda mais com o crescimento das práticas sociais, ambientais e de governança (ESG) na agenda global. Porém, para isso, precisará saber como promover um progresso socioeconômico aliado com a sustentabilidade. Essa é a opinião de especialistas nesta terça-feira, 15, do Summit ESG, evento online promovido pelo Estadão.

Para Mariano Cenamo, fundador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e CEO da Amaz Aceleradora de Impacto, o país não conseguirá fazer mais frente à China, por exemplo, como um grande polo industrial, assim como não será um grande celeiro de recursos humanos, como a Índia é no momento. 

“Com a conservação da Amazônia e com a geração de riqueza, a partir da floresta amazônica, o Brasil tem todo o potencial de ser uma grande potência mundial”, diz Cenamo.

Mas, para isso, é necessário que as empresas participem mais do processo de criar melhores práticas socioambientais no país e sejam protagonistas, de acordo com o especialista. “Em um passado recente, quando o desmatamento estava em níveis baixos, perdemos uma chance muito grande de envolver mais a iniciativa privada nesse processo”, afirma.

A Vale é uma das companhias que buscam mudar esse cenário. Recentemente, a empresa anunciou que vai recuperar 500 mil hectares de florestas até 2030. Do total, 400 mil hectares fazem parte de florestas já existentes e outros 100 mil são de áreas degradadas, que estão passando por uma transformação com o apoio do Fundo Vale e uma rede de parceiros. No total, a empresa desembolsará R$ 100 milhões.

“Não queremos apenas entregar hectares plantados, mas construir um ambiente para que a bioeconomia floresça e criar o que chamamos de carbono de impacto”, diz Patrícia Daros, diretora de operações do Fundo Vale.

Ou seja, a Vale quer estruturar um modelo socioambiental que seja perene no longo prazo. Um exemplo dado pela executiva é o Café Apuí, na Amazônia. O projeto, feita em parceria com o Idesam, foi criado em 2012 e incentivou a plantação de café no município de Apuí (AM), em uma região que não é das mais recomendas para o plantio do grão dada a umidade do solo.

Porém, pesquisadores do Idesam apontaram que seria possível o cultivo em partes com mais sombras dentro da floresta, o que também ajudaria na recuperação da degradação do local. Deu certo e ainda com um café de qualidade superior à vista na maioria do país. Desde o início do projeto, com mudanças na produção, a colheita do Café Apuí saltou de 8 para 17 sacas por hectare.

Mais do que o café em si, mais de 40 famílias foram envolvidas em todo esse processo. A meta do Fundo Vale junto com o Idesam é envolver até 300 famílias nos próximos anos com o aumento da produtividade. 

“É super importante que se possa financiar iniciativas que estruturem cadeias de produção de maneira sustentável. É um exercício que estamos fazendo para alinhar uma série de componentes relacionados às pesquisas e identificar todos os desafios e potenciais”, diz Patrícia. 

Não por acaso, Cenamo quer auxiliar empresas que pensem em criar negócios sustentáveis e conectar com investidores que estão cada vez mais de olho nesse filão. Em cinco anos, a aceleradora Amaz prevê investir em 30 startups, com cerca de R$ 50 milhões de investimentos diretos na Amazônia, o que deve ajudar a preservar 5 milhões de hectares da floresta, assim como impactar diretamente 10 mil famílias que terão uma nova forma de renda. 

“Já existem fundos de venture capital querendo investir nessa área, mas não existe um pipeline organizado de startups. Por isso, estamos a procura de empresas com potencial de crescimento e escala e que tenha no modelo de negócio o valor de gerar um impacto positivo.”

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'Esse governo reverteu a tentativa de conter destruição da Amazônia', diz 'pai da sustentabilidade'

No Summit ESG - evento promovido pelo ‘Estadão’ -, John Elkington diz que empresas não conseguirão fazer uma transformação verde sozinhas

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 11h24
Atualizado 16 de junho de 2021 | 13h14

A adoção de princípios sociais, ambientais e de governança (ESG, na sigla em inglês) por empresas em todo o mundo não será suficiente para deter as mudanças climáticas, na avaliação de John Elkington, conhecido como “pai da sustentabilidade”. Segundo o inglês, é essencial que os governos também atuem nessa área, criando políticas públicas como impostos para emissão de carbono - o que não vem ocorrendo no Brasil.

“As empresas não conseguem fazer isso sozinhas, mesmo as maiores não conseguem. Elas podem fazer mudanças substanciais, mas dependem de governos para agir. Você tem de mudar o mercado onde elas atuam. Mas o reconhecimento da necessidade do governo está se espalhando rapidamente”, afirmou Elkington na manhã desta terça-feira, 15, em palestra online do Summit ESG, evento promovido pelo Estadão.

Criador do conceito “tripé da sustentabilidade” (segundo o qual, para uma empresa ser sustentável, ela precisa ser financeiramente viável, socialmente justa e ambientalmente responsável), Elkington destacou que países da União Europeia, além do Reino Unido e dos Estados Unidos, estão trabalhando para que uma transformação verde se viabilize. O  mesmo, porém, não tem ocorrido na América do Sul e, principalmente, no Brasil, afirmou.

Elkington criticou os retrocessos na conservação da Amazônia, apesar de ponderar que esse problema não é restrito ao governo de Jair Bolsonaro. “Uma das minhas maiores preocupações - mas isso não é especificamente contra o governo Bolsonaro - é que esse governo reverteu o progresso de anos de tentar desacelerar a destruição da Amazônia.”

De acordo com ele, a saída da crise ambiental não ocorrerá se toda a população global não trabalhar conjuntamente - daí a necessidade de o Brasil também colaborar e preservar o ambiente. “O que estamos tentando fazer na União Europeia e em outras partes do mundo não será suficiente. A covid nos mostrou que a pandemia e a mudança climática só serão solucionadas se tivermos uma solução global. Se nos unirmos.”

O inglês disse ainda que investidores e órgãos internacionais não deverão ajudar no trabalho de preservação ambiental do Brasil se o próprio governo não adotar iniciativas que façam isso. “O investidor de fora tem de ter confiança de que está investindo em cadeias de valor e de que o governo vai assegurar que pessoas normais não continuarão destruindo o ambiente. O governo precisa mostrar que o ambiente, nesse caso a Amazônia, é um ativo. Se não, ninguém vai investir no longo prazo.”

Elkington afirmou acreditar que o capitalismo é o futuro, mas não em sua forma corrente. Segundo ele, o padrão estabelecido por Milton Friedman, em que empresas deveriam buscar apenas o lucro, ficou ultrapassado e a mudança será rápida porque a pressão sobre as empresas aumentou muito conforme as expectativas em relação a elas foram se alterando.

“ESG ainda é algo reativo, mas há uma mudança fundamental no modo de o mundo pensar. Governos, pessoas e empresas estão começando a se preocupar se nossos sistemas -  nossa sociedade, nossa economia, nossa política - vão durar o suficiente para nos sustentar. E muita gente tem concluído que não. Portanto, o que veremos é uma expansão do que será esperado em termos de responsabilidade dos mercados e dos governos. E o ESG faz parte dessa responsabilidade.”

 

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Brasil pode se tornar uma potência se aliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental

Especialistas, em debate online promovido pelo 'Estadão', afirmam que o Brasil pode ser um grande protagonista global em 2030, caso comece a levar sustentabilidade mais a sério

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2021 | 17h00

O Brasil tem chances de se tornar uma grande potência até o final de 2030, ainda mais com o crescimento das práticas sociais, ambientais e de governança (ESG) na agenda global. Porém, para isso, precisará saber como promover um progresso socioeconômico aliado com a sustentabilidade. Essa é a opinião de especialistas nesta terça-feira, 15, do Summit ESG, evento online promovido pelo Estadão.

Para Mariano Cenamo, fundador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e CEO da Amaz Aceleradora de Impacto, o país não conseguirá fazer mais frente à China, por exemplo, como um grande polo industrial, assim como não será um grande celeiro de recursos humanos, como a Índia é no momento. 

“Com a conservação da Amazônia e com a geração de riqueza, a partir da floresta amazônica, o Brasil tem todo o potencial de ser uma grande potência mundial”, diz Cenamo.

Mas, para isso, é necessário que as empresas participem mais do processo de criar melhores práticas socioambientais no país e sejam protagonistas, de acordo com o especialista. “Em um passado recente, quando o desmatamento estava em níveis baixos, perdemos uma chance muito grande de envolver mais a iniciativa privada nesse processo”, afirma.

A Vale é uma das companhias que buscam mudar esse cenário. Recentemente, a empresa anunciou que vai recuperar 500 mil hectares de florestas até 2030. Do total, 400 mil hectares fazem parte de florestas já existentes e outros 100 mil são de áreas degradadas, que estão passando por uma transformação com o apoio do Fundo Vale e uma rede de parceiros. No total, a empresa desembolsará R$ 100 milhões.

“Não queremos apenas entregar hectares plantados, mas construir um ambiente para que a bioeconomia floresça e criar o que chamamos de carbono de impacto”, diz Patrícia Daros, diretora de operações do Fundo Vale.

Ou seja, a Vale quer estruturar um modelo socioambiental que seja perene no longo prazo. Um exemplo dado pela executiva é o Café Apuí, na Amazônia. O projeto, feita em parceria com o Idesam, foi criado em 2012 e incentivou a plantação de café no município de Apuí (AM), em uma região que não é das mais recomendas para o plantio do grão dada a umidade do solo.

Porém, pesquisadores do Idesam apontaram que seria possível o cultivo em partes com mais sombras dentro da floresta, o que também ajudaria na recuperação da degradação do local. Deu certo e ainda com um café de qualidade superior à vista na maioria do país. Desde o início do projeto, com mudanças na produção, a colheita do Café Apuí saltou de 8 para 17 sacas por hectare.

Mais do que o café em si, mais de 40 famílias foram envolvidas em todo esse processo. A meta do Fundo Vale junto com o Idesam é envolver até 300 famílias nos próximos anos com o aumento da produtividade. 

“É super importante que se possa financiar iniciativas que estruturem cadeias de produção de maneira sustentável. É um exercício que estamos fazendo para alinhar uma série de componentes relacionados às pesquisas e identificar todos os desafios e potenciais”, diz Patrícia. 

Não por acaso, Cenamo quer auxiliar empresas que pensem em criar negócios sustentáveis e conectar com investidores que estão cada vez mais de olho nesse filão. Em cinco anos, a aceleradora Amaz prevê investir em 30 startups, com cerca de R$ 50 milhões de investimentos diretos na Amazônia, o que deve ajudar a preservar 5 milhões de hectares da floresta, assim como impactar diretamente 10 mil famílias que terão uma nova forma de renda. 

“Já existem fundos de venture capital querendo investir nessa área, mas não existe um pipeline organizado de startups. Por isso, estamos a procura de empresas com potencial de crescimento e escala e que tenha no modelo de negócio o valor de gerar um impacto positivo.”

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