Reprodução Estadão
Reprodução Estadão

Inclusão racial nas empresas precisa de critérios objetivos, dizem especialistas

Participantes do Summit ESG 2022, promovido pelo Estadão, fazem correlação entre equipes mais diversas e inovação

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2022 | 14h01

Mais da metade da população brasileira hoje é negra e a questão da diversidade racial e da inclusão nas empresas tem se tornado um  pilar fundamental para que as companhias reflitam a sociedade na qual estão inseridas e possam garantir a sustentabilidade de suas operações. A questão é como fazer essa inclusão, conseguindo resultados objetivos e alcançando metas traçadas.

Os participantes do Summit ESG 2022, promovido pelo Estadão, concordaram que para evoluir nesse quesito é preciso ter critérios objetivos, que meçam como anda a inclusão. “Só faz gestão da diversidade quem mede essa evolução de forma objetiva”, afirmou o presidente do Instituto Olga Kos, Wolf Kos.

Ele contou que o seu instituto foi o primeiro a criar um algoritmo para isso. Esse algoritmo está baseado em variáveis que envolvem a atitude da empresa, comunicação entre os diferentes níveis hierárquicos, programas de crescimento dos funcionários, entre outras.

O especialista destacou que o objetivo de ter um indicador para acompanhar o desempenho da inclusão não tem caráter punitivo, mas o de valorizar o avanço das empresas  nesse quesito e melhorar o desempenho. “As empresas ganham mercado à medida que se transformam.”

Diversidade e inovação

Ricardo Assumpção, especialista em liderança Sustentável e CEO da Grape ESG, lembrou que existe uma forte correlação entre equipes mais diversas e a inovação. “As equipes mais plurais são mais criativas e conseguem ver diferentes perspectivas de um mesmo assunto”, disse, ressaltando que as questões da diversidade e da inclusão no Brasil são urgentes.

No final de 2019, o Magazine Luiza fez uma pesquisa com os funcionários  para avaliar a diversidade e a inclusão na rede varejista. Constatou que mais da metade de seus quadros eram formados por negros, mas a participação desses funcionários era baixa em cargos de alta gerência.

O resultado dessa enquete levou a empresa a criar um programa de trainees voltado para  candidatos negros. Poucos dias após o lançamento, o programa  gerou uma enorme polêmica, com denúncias no Ministério Público sob acusações de racismo reverso.

A gerente de Reputação e Sustentabilidade do Magalu, Ana Luiza Herzog, disse que a imposição de cotas sempre cria polêmica. Mas, citando a presidente do Conselho de Administração da empresa, Luiza Trajano, lembrou que se trata de um mecanismo necessário neste momento, diante do racismo estrutural que há no País. “É um mecanismo transitório, como diz a Luiza, e quanto mais cedo a gente se livrar, melhor.”

Ana Luiza contou que o programa de diversidade do Magalu é muito orientado por metas e que essas metas nunca foram públicas. “Isso deverá acontecer até o final deste ano”, previu a gerente. Além da contratação de mulheres e negros para cargos de liderança, a companhia tem outros programas em curso, como a formação de mulheres para área de tecnologia e a contratação de profissionais acima de 40 anos de idade para esse setor.

Na opinião de Leizer Pereira,  fundador e CEO da Empodera, startup de diversidade e inclusão, programas como esse da contratação de trainees negros implementado pelo Magalu só dão certo quando compromisso é autêntico com a causa. “A Luiza (Trajano, presidente do Conselho do Magalu) acredita de verdade, a mensagem é autêntica e ela tem coragem para desafiar o status quo.”

Em operação desde 2017, a startup triplicou no ano passado o número de empresas que estão buscando a consultoria para colocar programas de diversidade e inclusão em andamento. Leizer disse que as empresas estão muito preocupadas com esse tema e concordou  com Wolf Kos, presidente do Instituto Olga Kos sobre a chave para fazer com que programas de inclusão avancem. “Quem não mede, não gerencia”, afirmou.

Na opinião do CEO da startup, é preciso criar indicadores para que os programas de diversidade e inclusão ganhem autonomia, sejam sustentáveis e perenes e não dependam das pessoas e  vontade de lideranças, que em certos momentos podem deixar as companhias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.