Reprodução/Estadão
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Preparação das empresas para práticas ESG é caminho irreversível, dizem especialistas

Executivos abordam no Summit ESG 2022, realizado pelo Estadão, que práticas voltadas para a temática vão além da conscientização e que o retorno financeiro é relevante

Felipe Siqueira, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 11h55

O tema ESG (Social, Ambiental e Governança corporativa, em tradução livre) é um caminho irreversível para as empresas, segundo especialistas do setor empresarial que participaram nesta sexta-feira, 24, do Summit ESG, promovido pelo Estadão. Segundo eles, além do ponto de vista de conscientização, sobre o impacto das ações no meio ambiente e nas comunidades, por exemplo, o lado financeiro também fala alto nas companhias, já que, além de terem resultados melhores quando são mais responsáveis, fundos de investimentos e instituições financeiras, na hora de conceder empréstimos, já estão priorizando empreendimentos que olham com mais atenção para o assunto. 

"Há sempre (empresas e CEOs) mais preparados e menos preparados. Mas acho que ninguém tem mais dúvidas que precisamos estar preparados, é irreversível. Isso porque a sociedade percebeu e está cobrando empresas, influenciando até mesmo produtos. Mecanismos de financiamentos priorizam ESG. Se o CEO não está preparado, precisa ter certeza de que precisa estar", explica o CEO da CBA, presidente do Conselho do Instituto Votorantim e do Conselho Diretor da Abal, Ricardo Carvalho.  

Também no evento, o diretor executivo e sócio da prática de Energia do BCG Brasil, Arthur Ramos, acrescentou que, atualmente, não se faz mais estratégias sem olhar para ESG. Mesmo que o trabalho possa não impactar negativamente de maneira direta, a companhia precisa avaliar se os parceiros ou financiados têm os mesmos cuidados. "Toda empresa cada vez mais investiga a licença para operar. É uma empresa que contribui para o meio ambiente? Não se executa sem pensar em governança e bons processos decisórios. Tudo isso afeta o CEO e os conselhos", diz. 

Outro ponto levantado na discussão sobre o assunto foi como o lucro deve caminhar em balanço com as boas práticas empresariais. "A partir do momento que focamos apenas no lucro e não no propósito, diretores vão em busca apenas do lucro e não investem em ESG - que tem retorno em longo prazo. Outro CEO vai colher o que plantou de frutos. Mas tem que entender que faz parte da cultura de CEO. É pensar de forma colaborativa", fala Marcela Argollo, sócia da All For You e professora da FGV

A CEO da Ambipar Environment, Cristina Andriotti, afirmou que, na hora das aquisições, o tema é ponto-chave para as negociações. "Além da reputação, enxergamos a governança da empresa que fazemos aquisição". Ela ainda complementou que não é apenas o longo prazo que possui retorno - existem também efeitos mais rápidos para ações focadas em ESG. "Quando você traz ESG para a companhia, o retorno do capital é imediato, com pessoas, talentos e preservação do meio ambiente." 

A "batalha" por talentos também foi algo muito abordado na esteira de ESG. Isso porque, de acordo com Ricardo Carvalho, CEO da CBA, quem chega hoje às empresas também se preocupa sobre como os impactos podem chegar à sociedade. "O fato de já estar inserido em ESG também é um motivo de atração de talentos." Arthur Ramos, do BCG Brasil, concluiu que os jovens estão muito abertos a este tema. "A batalha por talento é uma batalha essencial." 

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