Superávit comercial da Europa com Brasil triplica de janeiro a abril

Vantagem europeia no comércio exterior com o Brasil atingiu € 2,3 bi no período

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

16 de julho de 2013 | 10h26

LONDRES - A vantagem da Europa no comércio exterior com o Brasil cresce mês após mês. Dados divulgados nesta terça-feira mostram que o saldo comercial positivo dos europeus com os brasileiros atingiu 2,3 bilhões de euros no acumulado de janeiro a abril de 2013. O valor é 228% maior que o observado um ano antes, quando o saldo somava 700 milhões de euros. Com esse desempenho, o Brasil já é o responsável pelo quarto maior superávit na balança comercial europeia, atrás apenas dos Estados Unidos, Suíça e Turquia.

Números da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, mostram que a vantagem europeia no comércio é resultado basicamente da queda da importação de produtos brasileiros pelos europeus. De janeiro a abril, os 27 países da União Europeia compraram 10,7 bilhões de euros dos brasileiros. O valor é 11% menor que o visto em igual período de 2012.

Por outro lado, as exportações europeias ao Brasil não param de crescer - ainda que a um ritmo mais lento. Nos quatro meses, foram embarcados 13 bilhões de euros em mercadorias produzidas na Europa para o mercado brasileiro. O valor é 1% maior que o registrado um ano atrás em igual período de janeiro a abril. Atualmente, o Brasil é o oitavo maior destino das exportações europeias, atrás dos Estados Unidos, Suíça, China, Rússia, Turquia, Japão e Noruega.

Apesar de ser o oitavo na lista das exportações, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos maiores superávits comerciais da Europa. Essa diferença - entre exportações e saldo comercial - acontece porque, proporcionalmente, europeus estão importando cada vez menos do Brasil. A cada 1 euro exportado ao Brasil, o velho continente importa atualmente 0,83 euro dos brasileiros. Um ano atrás, europeus compravam 0,94 euro para cada 1 euro vendido ao País. Ou seja, a vantagem europeia só cresce.

Indústria. A explicação para a piora dos números pode ser encontrada a milhares de quilômetros do velho continente, na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em Brasília. Segundo números do governo brasileiro, a venda de produtos brasileiros manufaturados à União Europeia caiu 20,2% de janeiro a abril na comparação com igual período do ano passado. Isso quer dizer que o Brasil deixou de exportar US$ 1,2 bilhão - cerca de R$ 2,7 bilhões - à Europa apenas em manufaturados nos quatro primeiros meses do ano. A venda de produtos básicos recuou 6% no mesmo período e o embarque de semimanufaturados seguiu praticamente estável.

Entre os produtos industrializados, segundo o MDIC, a exportação de bens de capital aos europeus encolheu 53% nos quatro primeiros meses de 2013. A venda de combustíveis e lubrificantes caiu 23,3% e o recuo nos bens de consumo ficou perto de 4%.

A equipe econômica defende há muitos meses que o real desvalorizado ajudaria exportadores brasileiros a ganhar mercado. Exatamente como queria parte do governo, o dólar girou perto de R$ 2 em boa parte do período entre janeiro e abril de 2013. Mesmo assim, as exportações para a Europa não reagiram. Ao contrário, o continente tem comprado cada vez menos do Brasil porque a região segue na pior crise econômica em décadas e, ao mesmo tempo, governos da região têm se esforçado para tentar exportar cada vez mais ao mundo, inclusive aos brasileiros, para sair da crise.

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