Superávit comercial do País cai pela 1ª vez em dez anos

Alta das importações - que registraram valor recorde - reduz saldo em 13,8%; exportações também são recorde

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

02 de janeiro de 2008 | 10h28

O superávit comercial do País registrou diminuição de 13,8% no ano de 2007, causada pelo grande crescimento das importações brasileiras. A queda no saldo é a primeira desde 1997.   Durante todo o ano passado, a balança comercial acumulou saldo positivo de US$ 40,039 bilhões, em comparação com US$ 46,074 bilhões de 2006. O valor é o menor desde 2004, quando o superávit foi de US$ 33,640 bilhões.   Apesar da diminuição no saldo do ano, as exportações e as importações brasileiras registraram recorde histórico em 2007, sendo que a alta das compras internas supera em muito o crescimento nas vendas externas. As exportações atingiram US$ 160,649 bilhões, com crescimento de 16,6% ante 2006, e as importações somaram US$ 120,610 bilhões, alta de 32%.   O grande aumento das importações foi influenciado pelo forte desvalorização do dólar frente ao real em 2007, de 16,8%, e por um aumento no consumo interno.   Como o saldo comercial é resultado do que o País exporta menos o que ele importa, a balança registrou durante todo o ano uma diminuição em seu superávit.   Dezembro   O mês de dezembro fechou com um superávit de US$ 3,636 bilhões, com exportações de US$ 14,231 bilhões (média diária de US$ 711,6 milhões) e importações de US$ 10,595 bilhões (média diária de US$ 529,8 milhões). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 2, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.   A quarta semana de dezembro, com quatro dias úteis, registrou o melhor resultado no mês: US$ 1,322 bilhão. No último dia do ano o superávit foi de US$ 319 milhões.   2008   Para o economista da UFRJ, Carlos Thadeu de Freitas Filho, a balança comercial brasileira deverá continuar este ano com o mesmo perfil de 2007, exibindo um aumento das importações maior do que o das exportações.   Freitas prevê um saldo de US$ 23 bilhões em 2008 - pouco mais da metade do montante verificado em 2007 (US$ 40,039 bilhões). De acordo com ele, as exportações devem apresentar um crescimento de aproximadamente 12% este ano em relação a 2007, situando-se perto da casa dos US$ 170 bilhões. No mesmo período, as importações devem subir 24%, para US$ 147 bilhões.   "Isso resulta num saldo de US$ 23 bilhões, mas o volume das exportações ainda pode estar subestimado", considerou. Para ele, o Brasil continuará a vender para o exterior, apesar da expectativa generalizada de desaceleração da economia dos Estados Unidos e, conseqüentemente, de boa parte dos países que têm negócios com o principal motor da economia mundial.   O economista da UFRJ destacou, no entanto, que prevê a manutenção do quantum das exportações em 2008 relativamente a 2007. "O que sustentará o crescimento da participação das vendas na balança será o preço, principalmente das commodities", salientou, apresentando como exemplo a expectativa de reajuste do minério de ferro.   (com Célia Froufe, da Agência Estado)

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