Superávit comercial este ano deve ser de US$ 42 bilhões

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, projetou nesta segunda-feira o saldo da balança comercial brasileira para 2006 em US$ 42 bilhões, com as exportações atingindo a meta desejada pelo governo de US$ 132 bilhões, e as importações chegando a US$ 90 bilhões. Segundo Furlan, o crescimento das importações é saudável e era esperado, dado a melhora das condições do mercado interno.O volume das importações previstas pelo ministro para 2006 representa um crescimento de 22% sobre o total importado no ano passado. "O que nos colocaria em quatro anos praticamente dobrando o valor de US$ 47 bilhões, que foi o de 2002", disse, após participar de um almoço promovido pela Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas.Para o ministro, a alta dos produtos importados demonstra um maior dinamismo do mercado interno, que passa a se abrir sem gerar efeitos negativos para a produção local. "É um momento em que a economia brasileira se abre sem grandes traumas. Tudo isso em favor do consumidor brasileiro, que pode escolher produtos de qualidade a preços mais competitivos", defendeu.Furlan ainda explicou que a retomada das importações deriva do grande esforço feito desde o início do governo para alavancar as vendas externas em face da depressão observada no mercado local.2007 Perguntado sobre a perspectiva de superávit comercial projetado por ele para 2007, o ministro não quis expor um número, e indicou um crescimento mais modesto no saldo da balança comercial. "O Brasil não precisa de superávit de US$ 45 bilhões. Se a gente tivesse um superávit de US$ 30 bilhões a US$ 35 bilhões, seria mais do que suficiente, portanto tem uma grande folga para o aumento da importação", explicou.O ministro ainda comentou os dados da balança divulgados nesta segunda, e disse que o aumento expressivo das importações foi fruto de compras de petróleo feitas no mês passado, que acabaram sendo contabilizadas no início de agosto. "Do mês passado para este, passou US$350 de importação em petróleo, que caíram no dia 1º. Então as importações neste dia deram mais de US$ 700 milhões", comentou.Por fim, Furlan destacou que espera até o fim do ano números recordes sucessivos nos indicadores de comércio exterior do Brasil. "O ritmo continua bom, de um lado e do outro. Portanto a gente espera que a cada mês tenhamos números melhores que os dos mesmos meses do ano anterior", finalizou. Sistema Geral de PreferênciasFurlan ainda criticou duramente a possível exclusão do Brasil do Sistema Geral de Preferências de comércio dos Estados Unidos, conforme informou o Escritório de Representação Comercial (USTR) daquele país. Conforme o ministro, a medida, eliminaria a isenção da tarifas para a importação de certos produtos brasileiros, seria unilateral, pode trazer prejuízos aos dois países e ter efeito negativo sobre as negociações bilaterais."Na reunião que tivemos com o secretário de Comércio, (Carlos) Gutierrez, há cerca de dois meses, criamos um grupo de facilitação de comércio. Medidas unilaterais vão prejudicar as empresas que atuam nos dois países e criar um clima não favorável para a evolução das relações bilaterais", disse Furlan em coletiva dada após almoço promovido pela Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas.Ainda mesma entrevista, o ministro informou que o secretário de Comércio Exterior do Brasil, Armando de Mello Meziat, deve visitar em breve a China para tratar de assuntos que afetam a produção e venda de bens brasileiros no mercado interno. "Um deles é o setor de brinquedos. (O secretário) vai levar propostas de maneira que possa haver uma negociação de contingenciamento voluntário em alguns setores mais sensíveis", disse, sem especificar quais setores.

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