José Cruz/ Agência Brasil
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Superávit comercial sobe para US$ 4,7 bi em março, mas recua 32% no 1º trimestre com coronavírus

No acumulado do primeiro trimestre deste ano, a balança comercial registrou um superávit de US$ 6,135 bilhões

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 16h26

BRASÍLIA - A balança comercial registrou superávit de US$ 4,713 bilhões em março, informou o Ministério da Economia nesta quarta-feira, 1. 

Em relação a março do ano passado, houve uma alta de 9,7% no saldo comercial positivo, de acordo com os números oficiais. 

O dado veio praticamente igual ao teto das estimativas na pesquisa do Projeções Broadcast, de US$ 4,700 bilhões. O piso era de US$ 3,30 bilhões, com mediana de US$ 4,70 bilhões. 

O superávit acontece quando as exportações superam as importações. Quando ocorre o contrário, é registrado déficit comercial. 

Já no acumulado do primeiro trimestre deste ano, a balança comercial registrou um superávit (exportações menos importações) de US$ 6,135 bilhões. A cifra representa uma queda de 32% frente ao saldo positivo de US$ 9,025 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. 

Esse foi o pior resultado, para este período, desde 2015, quando foi registrado um déficit comercial (importações maiores do que vendas externas) de US$ 5,577 bilhões. Deste modo, foi o pior valor para os três primeiros do calendário em cinco anos. 

A redução do saldo comercial positivo acontece em meio ao processo de desaceleração da economia mundial, intensificado nas últimas semanas com a pandemia do novo coronavírus. A China, que registrou o primeiro caso do Covid-19 em dezembro do ano passado, é o principal comprador de produtos brasileiros. 

A pandemia se espalhou, posteriormente, por outros países, atingindo os Estados Unidos, o segundo maior importador de produtos nacionais, com mais intensidade nas últimas semanas

O governo espera que crise afete mais fortemente as importações brasileiras do que as exportações. Com isso, a expectativa é que o saldo comercial seja maior do que o inicialmente projetado pelos analistas de mercado. No último Boletim Focus, do Banco Central, a projeção era de superávit de US$ 35 bilhões

A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia faria neste mês projeções para os dados da balança comercial de 2020, mas teve de adiar para o próximo mês por conta do aumento da incerteza global. “Embora o cenário econômico adverso ainda não esteja completamente refletido nos dados disponíveis, é razoável supor que os fluxos de mercadorias serão duramente afetados pelos efeitos da pandemia da covid-19”, afirmou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão. 

De acordo com Brandão, que respondeu perguntas dos jornalistas por escrito por conta da necessidade de isolamento social imposta pela pandemia, a redução na atividade econômica e câmbio desvalorizado reduzirão as importações. Já as exportações poderão ser menos afetadas. 

"O volume da pauta de produtos poderá ser menos afetado pela queda da demanda mundial, por ser composta, em grande medida, de produtos alimentícios e pelo impacto positivo da desvalorização cambial", completou.

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