Superávit cresce, mas balança mostra fraqueza

Houve sinais de melhora de exportações, pois a média diária das vendas entre 1.º de julho e 17 de julho foi de US$ 853,1 milhões, superando em 5,9% as de igual período de 2015

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2016 | 03h00

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) elevou de US$ 29,2 bilhões para US$ 46,9 bilhões a estimativa de superávit da balança comercial em 2016. A revisão foi divulgada quando o superávit acumulado no ano já atingia US$ 26,6 bilhões e poderá ser o maior da história do País, superando os US$ 46,4 bilhões registrados em 2006. Mas, como observou o presidente da AEB, José Augusto de Castro, o expressivo saldo da balança comercial se deve à recessão e à fraqueza das importações e não ao vigor das exportações, o que seria mais desejável.

As projeções da AEB são conservadoras. Outros analistas já estimaram um superávit comercial igual ou maior do que US$ 50 bilhões neste ano. Para o ano que vem, porém, com a valorização do real verificada nas últimas semanas, a previsão é de um saldo comercial inferior ao deste ano. O boletim Focus do Banco Central, por exemplo, que retrata a média das avaliações dos agentes privados, indicou na pesquisa de 15/7 uma estimativa de queda do superávit de US$ 52 bilhões em 2016 para US$ 49,2 bilhões em 2017.

Houve sinais de melhora de exportações, pois a média diária das vendas entre 1.º de julho e 17 de julho foi de US$ 853,1 milhões, superando em 5,9% as de igual período de 2015.

O maior crescimento veio das vendas de manufaturados (+18,7%), influenciadas pela exportação fictícia de uma plataforma para extração de petróleo, seguindo com o crescimento da exportação de semimanufaturados (+15,3%). Com a queda das cotações das commodities, as vendas de produtos básicos recuaram 5,1%.

Como notou Castro, uma pauta de exportações ainda dependente de commodities deixa a balança comercial ao sabor da volatilidade das cotações. Para reduzir essa dependência, o País tem de investir na competitividade dos manufaturados mediante reformas tributária, trabalhista e previdenciária, além da melhora da infraestrutura.

As exportações devem cair 1,9% entre 2015 e 2016, de US$ 191,1 bilhões para US$ 187,5 bilhões, segundo a AEB. Entre as que registrarão queda se destacam as de automóveis para Argentina, Colômbia e México. A participação brasileira na exportação global deve cair de 1,16% para 1,11%, porcentual inferior ao peso do País no PIB mundial, da ordem de 2,6%.

A corrente de comércio projetada pela AEB para o ano é de US$ 328 bilhões, 9,5% inferior à de 2015. E é esta a melhor medida da importância do comércio exterior do País.

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