Superávit das contas públicas é o pior em 3 anos

Valor foi de R$ 1,6 bi em setembro, o mais baixo do mês no período e o menor desde julho de 2010

CÉLIA FROUFE, EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h09

A fraca economia do setor público em setembro para pagar os juros da dívida deixou mais evidente que a meta fiscal de R$ 139,8 bilhões não será cumprida este ano. No mês passado, o superávit primário foi de apenas R$ 1,6 bilhão, o saldo mais baixo para o mês em três anos e o menor desde julho de 2010, ainda no governo Lula, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central.

Na semana retrasada, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) já havia informado que o BC não trabalha mais com a hipótese de cumprimento da meta cheia em 2012. Ontem, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que o cenário fiscal está "menos favorável" e reconheceu que o governo deve abater os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para atingir seu objetivo. "O BC trabalha com o cumprimento da meta considerando a possibilidade do abatimento dos investimentos", disse Maciel.

De janeiro a setembro, a economia feita pelo setor público para o pagamento de juros da dívida (superávit primário) foi de R$ 75,8 bilhões, o equivalente a 2,33% do Produto Interno Bruto (PIB). O compromisso fiscal a ser materializado no resto do ano, sem o ajuste do PAC, é de R$ 64 bilhões - um esforço mensal de R$ 21,3 bilhões de outubro a dezembro. De 2009 a 2011, a média de superávit no último trimestre foi de R$ 25 bilhões ou R$ 8,3 bilhões ao mês.

Otimismo. Apesar da distância que o governo se encontra de seu alvo, na segunda-feira o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que ainda há possibilidade de cumprimento integral da meta, pois espera superávits "bem fortes" até dezembro. "Estamos trabalhando com o cumprimento da meta cheia", afirmou.

O chefe de departamento do BC justificou o tímido resultado fiscal deste ano com a moderação "significativa" da atividade econômica desde a segunda metade do ano passado até o primeiro semestre deste ano. Além disso, ele disse que as receitas do setor público também foram afetadas pelas medidas de estímulo dos últimos meses, como desoneração da folha do pagamento e de outros tributos.

Por fim, o superávit menor no ano até setembro foi atribuído por Maciel também ao crescimento dos investimentos do governo no período. Segundo ele, a expansão foi de 23% na comparação com os nove meses de 2011.

Maciel disse ontem que a política fiscal tem sido importante para o País, não só para atenuar os impactos negativos da crise global sobre a economia brasileira, mas também para auxiliar na condução da política monetária.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.