Superávit do governo central cai 80% em maio

O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) apresentou em maio superávit primário de R$ 2,816 bilhões, o que representou uma queda de 80,95% na comparação com os R$ 14,683 bilhões de abril. Tomando como base maio do ano passado, quando foram atingidos R$ 2,715 bilhões, a queda foi um pouco menor. Em nota, o Tesouro atribuiu a queda na base comparativa de abril ao efeito sazonal. Segundo explicou o órgão, em abril foi registrado o pagamento da primeira cota ou cota única do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2006, o recolhimento trimestral do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição sobre Lucro Líquido, além do recebimento de royalties pela exploração de petróleo e gás natural - fatores que não se repetiram em maio. Além disso, explicou o Tesouro, as transferências a Estados e municípios aumentaram em função da concentração de arrecadação dos tributos partilhados no terceiro decêndio de abril, com o correspondente repasse verificado em maio. O Tesouro informou ainda que foi verificado aumento nas despesas discricionárias e computado nas contas o impacto do reajuste do salário mínimo nos benefícios previdenciários e assistências.De janeiro a maio deste ano, o governo central acumula superávit de R$ 32,253 bilhões, o equivalente a 3,99% do Produto Interno Bruto (PIB). De janeiro a maio de 2005 o superávit acumulado foi de R$ 32,444 bilhões, equivalente a 4,32% do PIB. O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, destacou que 75% da meta de superávit primário das contas do governo central até o segundo quadrimestre deste ano (janeiro a agosto) já foi cumprida. Segundo informou Kawall, a meta do governo central até o segundo quadrimestre é de R$ 42,9 bilhões. De janeiro a maio, as contas do governo central acumulam um superávit de R$ 32,253 bilhões. Segundo ele, esse resultado dá segurança para o cumprimento da meta do ano e está dentro do esperado. Kawall afirmou ainda, ao comentar o resultado das contas de maio, que já era esperada a aceleração das despesas discricionárias, que são aquelas não obrigatórias.Segmentos Do resultado de maio deste ano do governo central, o Tesouro Nacional contribuiu com um superávit de R$ 6,139 bilhões, a Previdência Social apresentou déficit de R$ 3,311 bilhões e o BC um déficit de R$ 11,5 milhões.As despesas do Tesouro Nacional em maio totalizaram R$ 17,8 bilhões, o que representou um aumento de R$ 2,7 bilhões (18,1%) em relação a abril. Segundo documento divulgado pela Secretaria do Tesouro, a maior parte se refere a despesas de custeio e capital (R$ 2,5 bilhões). No ano, essas despesas acumuladas elevaram-se em R$ 11,3 bilhões (15,4%), o que significa crescimento acima do PIB nominal estimado para o período, que é de 7,4%.Despesas Entre as despesas discricionárias (não obrigatórias), os principais aumentos ocorreram nos Ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social, da Defesa, Educação e Ciência e Tecnologia.As despesas com subsídios e subvenções cresceram R$ 277,3 milhões em relação a abril. Os gastos com benefícios assistenciais (LOAS) aumentaram R$ 141,6 milhões, ou 16,3% em relação a abril, refletindo, segundo o Tesouro, o aumento do salário mínimo.As despesas com pessoal e encargos sociais cresceram R$ 4,7 bilhões (13,1%), enquanto os gastos de custeio e capital subiram R$ 6,6 bilhões (17,8%). Novas captaçõesKawall afirmou ainda que há espaço para novas captações do Tesouro brasileiro de papéis da dívida nos mercados internacionais, mas destacou que não há premência do governo. Segundo ele, o Hemisfério Norte entra agora em período de férias e não é a época mais adequada para captações. Ele lembrou que num momento de volatilidade recente, o governo foi ao mercado para melhorar o perfil da dívida quando recomprou títulos.

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