Superávit do governo central em março é o 2º maior para o mês

Economia para pagamento de juros da dívida pública, no mês passado, totalizou R$ 9,134 bilhões

Edna Simão / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

Com o corte de R$ 50 bilhões no orçamento, o ritmo de crescimento dos gastos públicos desacelerou no primeiro trimestre, o que contribuiu para que o governo fizesse uma economia para pagamento de juros da dívida pública de R$ 9,134 bilhões em março - o segundo melhor resultado para meses de março desde 1997. O forte aperto nas contas públicas vai ainda ajudar o governo a reduzir as "pressões inflacionárias demasiadas".

"Estamos absolutamente otimistas e confiantes que teremos um ano com crescimento e sem pressão inflacionária demasiada", disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Para o abril, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também espera bom desempenho. "Devemos ter superávit alto em abril e alcançaremos quase 50% de toda a meta para este ano." A meta de superávit primário para o setor público consolidado é de R$ 117,9 bilhões - a contribuição do governo central é de R$ 81,8 bilhões e dos estados e municípios de R$ 36,1 bilhões.

Somente no primeiro trimestre o governo central - que inclui as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC) - acumulou superávit primário de R$ 25,5 bilhões, superando a meta quadrimestral de R$ 22,9 bilhões. O resultado no trimestre, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional, foi garantido pelo forte aumento de 17,7% das receitas líquidas (descontadas as transferências para estados e municípios), puxadas pela atividade econômica ainda aquecida e também pelo corte de gastos.

As despesas registraram crescimento de 7,1% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2010. Na comparação entre os três primeiros meses de 2009 e 2010, esses gastos tiveram elevação de 19,3%. Só em março, por conta do corte no orçamento, houve queda de 7,2% ante o mesmo mês de 2010. O economista da consultoria Tendências, Felipe Salto, ficou surpreso com a redução das despesas. "Isso impacta a demanda", disse, acrescentando que a dúvida é se essa política de forte superávits primários será adotada nos próximos anos. Ele defendeu a adoção de regras para limitar o aumento de gastos de custeio e pessoal nos próximos anos.

Investimentos. Assim como em outros anos de ajuste fiscal, os investimentos foram afetados pelo corte no orçamento. Os pagamentos acumulados de janeiro a março totalizaram R$ 10,4 bilhões, alta de 9,2% em relação aos três primeiros meses de 2010. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2009 e 2010, essa despesa subiu 116,2%. "O crescimento menor tem a ver com a base de comparação. Mas não é uma tendência. Ao longo do ano, teremos um aumento", afirmou Augustin.

Segundo ele, as despesas com custeio tendem a ficar iguais ou menores que o crescimento nominal do PIB. "Os investimentos vão ser maiores que o crescimento do PIB nominal", disse. Augustin estima que o PIB nominal deve crescer 12% neste ano.

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