Superávit do Governo Central tem queda de 65,8% no 1º trimestre

Governo Central, que reúne as contas do Tesouro, Previdência Social e Banco Central, teve saldo positivo de R$ 4,485 bilhões no primeiro trimestre, o menor valor em 17 anos

Adriana Fernandes e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 08h41

O ano começou mal para as contas públicas. O Tesouro Nacional computou um superávit de R$ 4,485 bilhões do Governo Central no primeiro trimestre, o menor saldo trimestral desde 1998, ou seja, em 17 anos. Apesar de positivo, o resultado representa uma queda de 65,8% em relação ao esforço fiscal do primeiro trimestre de 2014. A conta do Governo Central reúne os resultados do Tesouro, Previdência Social e Banco Central.

Enquanto as receitas apresentaram nos três primeiros meses do ano um crescimento de apenas 2,9%, as despesas avançaram 6,8% no período. Em 12 meses, o Governo Central acumula um déficit de R$ 27,3 bilhões (0,49% do PIB). O valor está ainda muito distante da meta do governo central prevista para 2015, de R$ 55,2 bilhões.

O Tesouro atribuiu o resultado menor do esforço fiscal no primeiro trimestre a uma queda real de 4,4% da receita líquida. No mês de março, o governo contou com um reforço no caixa com receitas de dividendos que somaram R$ 1,755 bilhão. Os valores vieram principalmente da Caixa, com pagamento de R$ 1,072 bilhão. Outros R$ 548 milhões foram pagos pelo Banco do Brasil. 

Resultado mensal. Em março, o Governo Central registrou um superávit primário de R$ 1,46 bilhão. As contas do Tesouro registraram um superávit de R$ 8,02 bilhões em março, enquanto o INSS teve déficit de R$ 6,52 bilhões e o Banco Central, um saldo negativo de R$ 42,9 milhões. 

O resultado veio dentro das expectativas apresentadas por 18 instituições consultadas pela Agência Estado. As previsões estavam no intervalo entre déficit de R$ 8,1 bilhões e superávit de R$ 7,3 bilhões, com mediana positiva de R$ 3,5 bilhões.

Investimento em queda. Os investimentos totais do governo federal despencaram 31,3% no primeiro trimestre. A queda reflete o ajuste fiscal do governo que afeta os gastos com investimentos. Dados do Tesouro Nacional mostram que as despesas totais com investimentos somaram R$ 15,336 bilhões (valores já corrigidos pela inflação) nos três primeiros meses do ano. As despesas com os programas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tiveram queda de 37,3% no primeiro trimestre, somando R$ 10,587 bilhões.

Em março, os investimentos totais tiveram queda nominal de 26,7% e baixa de 32,2% em valores corrigidos pela inflação. Já as despesas do PAC somaram R$ 2,961 bilhões, com queda real de 32,5% sobre o mesmo mês de 2014.

 

 

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