Superávit não é suficiente para pagar juros da dívida

Por mais que o governo se esforce para conseguir economizar quantias recordes para o superávit primário, o dinheiro guardado é insuficiente para compensar o efeito explosivo dos juros altos sobre a dívida pública.No primeiro trimestre, a conta de juros do setor público foi de R$ 44,9 bilhões, quase o dobro do superávit primário de R$ 22,8 bilhões obtido pelo governo no período. Só para pagar os juros faltaram R$ 22,1 bilhões, que o governo teve de obter tomando novos empréstimos.No mesmo período do ano passado, esse déficit, ou a necessidade de financiamento do setor público, era de R$ 11,9 bilhões. O crescimento ocorreu por causa do aumento da carga de despesas com juros, que quase dobrou desde o primeiro trimestre do ano passado, de R$ 23,5 bilhões para R$ 44,9 bilhões.A taxa básica de juros, a Selic, está hoje em 26,5%, enquanto em março de 2002 era de 18,5%.?Se não tivesse o superávit, o déficit nominal seria maior?, disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Na verdade, sem essa economia para pagar parte da conta de juros, o País já poderia estar quebrado. ?Se não houvesse o superávit primário, o Brasil provavelmente não seria solvente hoje?, diz Fernando Barbosa, economista do BBV Banco especialista em contas públicas.

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